O hormônio antimülleriano (AMH) é reconhecido como importante marcador da reserva ovariana.
Pegadinha central: AMH, ao contrário de FSH e estradiol basais, não precisa ser programado para o início da fase folicular.
Contraceptivo hormonal prolongado pode baixar AMH de forma reversível e simular reserva menor.
AMH estima quantidade folicular e resposta ovariana, mas não mede diretamente qualidade dos óvulos nem probabilidade espontânea de gestação.
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Contexto
O hormônio antimülleriano é produzido pelas células da granulosa de folículos pré-antrais e pequenos folículos antrais. Por refletir o tamanho do pool de folículos pequenos e ser relativamente independente das gonadotrofinas cíclicas, ele é um dos principais marcadores de reserva ovariana quantitativa, embora não seja um teste isolado de fertilidade ou de qualidade oocitária.
A opinião de comitê da ASRM de 2020 descreve o AMH como um marcador independente do dia do ciclo, com concentrações relativamente consistentes ao longo do ciclo menstrual. A ASRM também reconhece que contracepção hormonal prolongada pode suprimir temporariamente AMH e contagem de folículos antrais; documento de 2024 cita reduções relevantes desses marcadores em algumas usuárias.
Há uma ressalva importante para a alternativa B: a relação entre vitamina D e AMH é controversa. Estudos mais antigos sugeriram modulação, mas evidência randomizada recente não demonstra efeito global consistente. Assim, o gabarito E deve ser mantido, porque a independência prática da fase do ciclo é um conceito consolidado, mas a vitamina D é um distrator menos robusto à luz da literatura atual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O AMH é produzido principalmente por folículos pré-antrais e pequenos antrais; maior quantidade desses folículos tende a se associar a maior concentração sérica de AMH.
B) Incorreta. No referencial clássico da questão, vitamina D é tratada como possível modulador do AMH. Entretanto, estudos atuais são conflitantes e ensaios randomizados não sustentam de forma consistente uma alteração global do AMH pela suplementação, portanto esta alternativa é hoje menos sólida como distrator.
C) Incorreta. Uso prolongado de contraceptivos hormonais pode reduzir de forma reversível AMH e contagem de folículos antrais, exigindo cautela na interpretação do teste durante o uso.
D) Incorreta. Volume ovariano acompanha, de modo imperfeito, a quantidade de tecido folicular e a reserva ovariana; por isso pode se correlacionar com AMH, embora seja marcador menos sensível e mais variável que AMH ou contagem de folículos antrais.
E) Correta (gabarito). A fase do ciclo menstrual não produz variação clinicamente importante o suficiente para exigir uma janela específica de coleta; por isso o AMH pode ser dosado em qualquer fase do ciclo.