Parturiente de risco habitual, 26 anos de idade, 38 semanas completas de gestação, em trabalho de parto espontâneo e sem bloqueio neuraxial. A frequência cardíaca fetal antes, durante e após as contrações uterinas é de 136 batimentos por minuto. Paciente encontra-se em período expulsivo há 4 (quatro) horas, a apresentação é cefálica em OP e plano +3 de DeLee.
Pegadinha central: cabeça em +3 e OP é cenário favorável para instrumento, não para chamar automaticamente de desproporção.
ACOG 2024: período expulsivo prolongado acima de 3 horas de puxos em nulíparas e 2 horas em multíparas.
Antes de cesárea por parada no segundo período, avalie elegibilidade para parto vaginal operatório.
Instrumento exige posição conhecida, cabeça insinuada e operador habilitado.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Esta é uma nulípara, sem analgesia neuraxial, há 4 horas no período expulsivo. A diretriz ACOG de 2024 define período expulsivo prolongado como mais de 3 horas de puxos em nulíparas e mais de 2 horas em multíparas, sempre com avaliação individualizada de descida, rotação, condições maternas e fetais.
A cabeça está em occípito-púbica, no plano +3 de De Lee, portanto muito baixa e em posição favorável. Não há sinal de comprometimento fetal: a frequência cardíaca fetal permanece em 136 bpm antes, durante e após as contrações. Em uma candidata adequada e com operador treinado, parto vaginal operatório é uma alternativa segura para abreviar o segundo período e deve ser considerado antes de cesárea em situações de parada ou prolongamento do período expulsivo.
Para parto vaginal operatório, devem estar atendidos requisitos como dilatação completa, membranas rotas, posição cefálica conhecida, cabeça insinuada, estimativa de compatibilidade pélvico-fetal, bexiga esvaziada, analgesia adequada quando necessária e possibilidade de cesárea de resgate.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Quatro horas excedem o limite de referência para nulípara, e a apresentação em OP no plano +3 oferece condições anatômicas favoráveis para parto vaginal operatório se os demais pré-requisitos estiverem presentes.
B) Incorreta. O período expulsivo já está prolongado pelo critério contemporâneo. A continuação pura e simples, sem reavaliar indicação de intervenção, não é a melhor resposta da prova.
C) Incorreta. Cesárea é opção para falha ou contraindicação do parto vaginal operatório, mas com cabeça em +3 e posição conhecida, o parto instrumental deve ser avaliado antes, desde que haja operador habilitado.
D) Incorreta. A descida até +3 torna desproporção cefalopélvica absoluta improvável. Na desproporção absoluta verdadeira, a cabeça não progride adequadamente pelo canal de parto.
E) Incorreta. O parto vaginal operatório pode ser adequado, mas o diagnóstico de desproporção cefalopélvica absoluta está errado e seria, por definição, incompatível com uma extração vaginal segura.