Criança, 5 anos de idade, com histórico de problemas respiratórios, era acompanhada na UBS próxima a sua casa. Com a mudança da família para outra região do mesmo município, não se vinculou à UBS de referência no novo território, que naquele momento contava com médico em apenas uma equipe de Saúde da Família. O agendamento de novas consultas estava demorando e durante alguns meses a criança não conseguiu ser atendida. A mãe passou a levá-la com frequência à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sempre que apresentava crises respiratórias. Estes atendimentos eram muito rápidos, focados na queixa do momento, e a mãe se mostrava insegura e insatisfeita porque as crises respiratórias foram ficando mais frequentes e resistentes aos medicamentos.
Pegadinha central: falta de médico não suspende acolhimento nem coordenação do cuidado; a APS funciona por equipe multiprofissional.
Longitudinalidade significa relação contínua ao longo do tempo. Idas episódicas à UPA não a substituem.
Crises repetidas de condição crônica são sinal para a UBS retomar vínculo, revisar tratamento e coordenar a rede.
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Contexto
O caso mostra perda de vínculo com a Atenção Primária após mudança de território, dificuldade de acesso e substituição do acompanhamento longitudinal por idas repetidas à UPA. O resultado é cuidado fragmentado, centrado apenas na crise respiratória. A Política Nacional de Atenção Básica de 2017 define a Atenção Básica como porta de entrada preferencial, coordenadora do cuidado e responsável por longitudinalidade, resolutividade e acompanhamento da população adscrita.
O ponto discriminador é que acolhimento e coordenação do cuidado são atribuições da equipe multiprofissional, não atos exclusivos do médico. Escassez de médicos pode reduzir capacidade assistencial, mas não elimina a responsabilidade da UBS de receber a demanda, avaliar risco e necessidade, construir plano de acompanhamento, acionar enfermagem e demais profissionais, organizar agendas, encaminhar quando necessário e manter a coordenação do caso.
A UPA é importante para episódios agudos, mas não substitui o papel da APS no controle longitudinal de doenças respiratórias crônicas, na técnica inalatória, adesão, vacinação, controle de exposições, plano de ação e prevenção de novas crises. A repetição de atendimentos de urgência por condição sensível à Atenção Primária é justamente um sinal de falha de continuidade e de coordenação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Adscrição territorial existe no caso, mas a longitudinalidade não foi garantida. A criança perdeu seguimento regular e passou meses sem atendimento na UBS, portanto não se pode dizer que essa função foi contemplada.
B) Correta (gabarito). Mesmo com deficiência de médicos, a equipe poderia realizar acolhimento, avaliação inicial, organização do acesso e coordenação do cuidado. Essas funções são multiprofissionais e fazem parte da responsabilidade sanitária da UBS.
C) Incorreta. Responsabilização e busca ativa são atribuições da Atenção Básica, mas o caso demonstra justamente que não foram efetivadas: a criança ficou sem acompanhamento e passou a procurar repetidamente a UPA.
D) Incorreta. A APS não é definida por baixa resolutividade. Ao contrário, deve resolver a grande maioria dos problemas comuns e coordenar o cuidado quando é necessário recorrer a outros pontos da rede.
E) Incorreta. UBS tem competência para acompanhar doenças respiratórias crônicas e manejar muitas agudizações, além de reconhecer gravidade e encaminhar quando necessário. Puericultura não é seu único papel pediátrico.