Menino, 5 anos de idade, apresentou quadro de faringoamigdalite bacteriana há cerca de 2 semanas, evoluindo há 1 dia com quadro de edema, hematúria macroscópica e redução de débito urinário. Após atendimento em pronto-socorro, foi observada hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo e hipertensão arterial (PA = 140 x 70 mmHg).
Pegadinha central: C3 baixo que normaliza em 6 a 8 semanas é assinatura clássica da GN pós-estreptocócica.
Faringite tem latência mais curta; piodermite costuma preceder o quadro renal por intervalo maior.
Tríade de síndrome nefrítica pós-estreptocócica: hematúria, edema e hipertensão.
Corticoide não é rotina; tratamento é predominantemente de suporte.
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Contexto
O menino apresenta síndrome nefrítica aguda após faringoamigdalite, com hematúria glomerular demonstrada por dismorfismo eritrocitário, edema, oligúria e hipertensão. O intervalo de aproximadamente duas semanas após infecção de orofaringe é clássico de glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica.
Após faringite estreptocócica, a latência costuma ser de cerca de 1 a 3 semanas; após infecção cutânea, em geral é mais longa. O complemento C3 fica reduzido pelo consumo da via alternativa e costuma normalizar em 6 a 8 semanas. C3 persistentemente baixo além desse período deve fazer pensar em diagnósticos alternativos, como glomerulopatias mediadas por complemento ou lúpus.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A latência após piodermite costuma ser mais longa que após faringite, não menor. Esse detalhe temporal é frequentemente cobrado.
B) Incorreta. O manejo é principalmente de suporte, com controle de volume e pressão arterial. Corticoide não faz parte do tratamento rotineiro da glomerulonefrite pós-estreptocócica não complicada.
C) Correta (gabarito). O C3, tipicamente baixo na fase aguda, costuma retornar ao normal em aproximadamente 6 a 8 semanas. Persistência da hipocomplementemia deve motivar reconsideração diagnóstica.
D) Incorreta. A tríade clássica é hematúria, edema e hipertensão. Proteinúria é frequente, mas não substitui edema na tríade tradicional.
E) Incorreta. O prognóstico em crianças é muito melhor que 60%; a grande maioria apresenta recuperação clínica completa, embora alterações urinárias microscópicas possam demorar mais a desaparecer.