Gestante de 24 semanas vem para consulta de rotina pré-natal. A ultrassonografia morfológica evidenciou feto feminino, único, artéria umbilical única e polidrâmnio, sem visibilização de bolha gástrica.
Pegadinha central: polidrâmnio mais bolha gástrica ausente aponta para atresia esofágica sem fístula distal.
Duodeno atrésico lembra dupla bolha, não ausência de estômago.
Fístula em H mantém o esôfago pérvio; atresia pura interrompe o trânsito deglutido.
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Contexto
O feto deglute líquido amniótico, que atravessa o esôfago e chega ao estômago. Quando existe interrupção completa do esôfago sem comunicação distal com a traqueia, o líquido deglutido não alcança o estômago. O resultado pré-natal clássico é polidrâmnio associado a estômago muito pequeno ou bolha gástrica não visualizada.
Na atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal, forma pós-natal mais comum, existe uma comunicação entre traqueia e segmento esofágico distal. Essa comunicação pode permitir conteúdo no estômago, de modo que a bolha gástrica costuma ser mais facilmente identificada do que na atresia pura. O ultrassom pré-natal não tem sensibilidade perfeita, portanto a ausência de bolha gástrica não é isoladamente diagnóstica, mas a combinação com polidrâmnio é altamente sugestiva.
Artéria umbilical única aumenta a atenção para malformações associadas, mas não define o subtipo de atresia esofágica. Após o nascimento, suspeita clínica inclui sialorreia, tosse, cianose e dificuldade de progressão de sonda orogástrica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Atresia de esôfago sem fístula é a forma que melhor explica polidrâmnio com ausência persistente de bolha gástrica, porque não há via para o líquido deglutido alcançar o estômago.
B) Incorreta. Atresia duodenal mantém comunicação entre esôfago e estômago e costuma produzir o sinal de dupla bolha, correspondente a estômago e duodeno proximal dilatados.
C) Incorreta. Coristoma é tecido histologicamente normal em localização ectópica e não explica o padrão ultrassonográfico de obstrução digestiva alta.
D) Incorreta. Fístula em H preserva a continuidade do esôfago, portanto o feto consegue deglutir para o estômago e a bolha gástrica não deve desaparecer por esse mecanismo.
E) Incorreta. A fístula distal fornece uma via de comunicação para o segmento esofágico inferior, de modo que o estômago pode conter líquido e ser visualizado. A ausência de bolha gástrica favorece a forma sem fístula.