Homem, 42 anos de idade, apresenta isquemia grave no membro inferior direito há 3 horas, com dor de forte intensidade, palidez, gradiente térmico e diminuição importante da perfusão do pé. Nega claudicação intermitente e relata malformação congênita cardíaca, sem tratamento específico. Exame físico: ausência de pulso femoral, poplíteo e distais em membro inferior direito, com pulsos normais em outros membros.
Pegadinha central: isquemia súbita em membro antes normal + pulsos contralaterais preservados = embolia até prova em contrário.
Os sinais clássicos são dor, palidez, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia.
Heparinização imediata e avaliação vascular urgente fazem parte do manejo enquanto se define a revascularização.
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Contexto
O paciente tem isquemia arterial aguda: início súbito há 3 horas, dor intensa, palidez, frialdade e perda de pulsos. A ausência de claudicação prévia e a presença de pulsos normais nos demais membros favorecem embolia, porque a trombose arterial aguda costuma ocorrer sobre doença aterosclerótica crônica preexistente e frequentemente deixa sinais de doença vascular em outros territórios.
A malformação cardíaca aumenta a suspeita de fonte embolígena. Dependendo da anatomia, pode haver embolia arterial originada diretamente no coração ou embolia paradoxal, na qual um trombo venoso atravessa uma comunicação direita-esquerda e alcança a circulação arterial. A perda do pulso femoral mostra que a oclusão é proximal, incompatível com lesão isolada no canal dos adutores. Na prática, após reconhecer isquemia aguda, inicia-se heparina não fracionada se não houver contraindicação e aciona-se cirurgia vascular para classificação de viabilidade e revascularização urgente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Phlegmasia é trombose venosa maciça e costuma causar edema exuberante e cianose ou palidez por comprometimento do retorno venoso. Aqui predominam ausência de pulsos, frialdade e hipoperfusão arterial.
B) Incorreta. Drogas vasoativas podem causar vasoespasmo e trombose, mas a apresentação unilateral abrupta com cardiopatia congênita oferece explicação emboligênica muito mais forte.
C) Incorreta. Trombose no canal dos adutores comprometeria principalmente a artéria femoral superficial distal ou poplítea e não explicaria ausência do pulso femoral. Além disso, falta história de doença arterial periférica prévia.
D) Correta (gabarito). O padrão é de embolia arterial aguda em membro previamente assintomático, e a cardiopatia congênita permite considerar tanto fonte cardíaca quanto embolia paradoxal.