Reanimação neonatal

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Questão 62
UNIFESP · 2021

Você está em um hospital secundário com um recém-nascido portador de cardiopatia com fluxo sistêmico dependente de canal arterial, que necessita de intervenção cirúrgica de urgência. O hospital de referência para cirurgia cardíaca disponibilizou a vaga. O paciente está com hemoglobina de 9 g/dL, temperatura de 35°C e pH na gasometria arterial de 7,1.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Transporte neonatal inter-hospitalar seguro exige estabilização antes da saída sempre que isso for possível. O recém-nascido apresenta dois marcadores graves de instabilidade: temperatura de 35 °C e pH de 7,1. Hipotermia aumenta consumo de oxigênio, acidose metabólica, hipoglicemia e instabilidade cardiorrespiratória; acidemia dessa magnitude sugere perfusão ou ventilação inadequadas e pode piorar durante o deslocamento.

Em cardiopatia com fluxo sistêmico dependente do canal arterial, a estabilização também inclui garantir via aérea, ventilação, perfusão, temperatura, glicemia e manutenção da patência ductal com prostaglandina E1 quando indicada. O serviço receptor deve ser comunicado da condição clínica e o transporte deve ocorrer com equipe e recursos apropriados depois que os fatores imediatamente corrigíveis forem tratados. A urgência cirúrgica aumenta a necessidade de coordenação rápida, mas não torna aceitável uma transferência improvisada de um neonato instável.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A existência de vaga não neutraliza o risco do transporte. Um neonato hipotérmico e acidótico pode deteriorar rapidamente no trajeto e deve ser estabilizado antes da transferência, salvo situação excepcional em que a própria transferência seja a única forma possível de estabilização definitiva e haja equipe especializada.

B) Correta (gabarito). O primeiro passo é comunicar ao centro de referência que o paciente ainda não apresenta condições seguras para o transporte e iniciar estabilização imediata, mantendo articulação para transferi-lo assim que houver segurança mínima.

C) Incorreta. Aquecimento e avaliação da necessidade transfusional fazem parte da estabilização, mas realizá-los apenas durante o transporte é menos seguro. Hemoglobina de 9 g/dL, isoladamente, não define transfusão urgente sem considerar oxigenação, perfusão e a cardiopatia.

D) Incorreta. Consentimento e comunicação com os responsáveis são importantes, mas hipotermia e acidose devem ser corrigidas antes do deslocamento sempre que possível, e não postergadas deliberadamente para o trajeto.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: transporte não substitui estabilização; corrija primeiro ameaças imediatas à vida que podem piorar no trajeto.

  • Neonato com cardiopatia ducto-dependente precisa de temperatura, ventilação, perfusão e patência do canal cuidadosamente mantidas.

  • Hipotermia neonatal alimenta um ciclo de aumento do consumo de oxigênio, acidose e piora hemodinâmica.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Reanimação neonatal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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