Mulher, 3G 1P normal anterior, 36 anos de idade, HBsAg positivo no início do pré-natal, HBeAg positivo, carga viral não disponível.
Pegadinha central: HBeAg positivo pode substituir HBV-DNA indisponível para identificar alto risco e indicar TDF.
PCDT atual: TDF 300 mg/dia idealmente entre 24 e 28 semanas, mantendo durante o terceiro trimestre.
HBV não indica cesariana por si só e não contraindica amamentação com profilaxia neonatal adequada.
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Contexto
A gestante tem infecção pelo vírus da hepatite B com HBsAg e HBeAg reagentes. HBeAg positivo é marcador de maior replicação e pode ser utilizado como substituto da carga viral quando o HBV-DNA não está disponível. O PCDT de Hepatite B do Ministério da Saúde, com anexo atualizado em 2024, recomenda tenofovir desoproxila 300 mg/dia para gestantes HBeAg reagentes e/ou com HBV-DNA ≥ 200.000 UI/mL.
Há uma atualização temporal importante em relação à redação da alternativa: o PCDT brasileiro atual recomenda iniciar a profilaxia idealmente entre 24 e 28 semanas, preferencialmente na 24ª semana, e mantê-la durante o terceiro trimestre até o parto, com decisão individualizada sobre suspensão no puerpério. Portanto, embora a alternativa fale genericamente em terceiro trimestre, ela contém o conjunto conceitualmente correto entre as opções.
A via de parto é determinada por indicação obstétrica, pois cesariana não reduz de forma comprovada a transmissão vertical além das medidas específicas. O aleitamento é permitido, inclusive durante uso de tenofovir, desde que não haja lesões mamárias com sangramento nem coinfecção por HIV. O recém-nascido deve receber vacina contra hepatite B e imunoglobulina específica preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Tenofovir é o antiviral indicado para reduzir transmissão vertical em gestante de alto risco, o parto segue indicação obstétrica e a amamentação é permitida com imunoprofilaxia neonatal adequada. Pela recomendação brasileira atual, o TDF deve ser iniciado já entre 24 e 28 semanas, e não apenas após o começo estrito do terceiro trimestre.
B) Incorreta. Interferon não é a estratégia de profilaxia da transmissão vertical utilizada durante a gestação. O fármaco recomendado é o tenofovir desoproxila.
C) Incorreta. A primeira parte é compatível com a estratégia antiviral, mas hepatite B materna não contraindica aleitamento quando o recém-nascido recebe imunoprofilaxia adequada e não há lesão mamária relevante ou coinfecção por HIV.
D) Incorreta. Reúne três erros: interferon não é o antiviral profilático indicado, cesariana não é obrigatória apenas por hepatite B e amamentação não é contraindicada nas condições descritas.