Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 75
UNIFESP · 2021

Recém-nascido a termo, três dias de vida, apresenta petéquias e equimoses disseminadas e hepatoesplenomegalia. Emissões otoacústicas ausentes na triagem auditiva. Exame oftalmológico e análise de líquor normais. Tomografia de crânio em anexo:

Figura da questão 75 da UNIFESP 2021
Figura da questão

Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, qual tratamento é mais recomendado?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O recém-nascido apresenta doença congênita multissistêmica com petéquias, equimoses, hepatoesplenomegalia e falha na triagem auditiva. A tomografia anexada mostra calcificações intracranianas com predomínio periventricular e ventriculomegalia, padrão clássico de citomegalovirose congênita. Em toxoplasmose, as calcificações tendem a ser mais difusas, e a tríade clássica inclui coriorretinite e hidrocefalia; aqui o exame oftalmológico é normal e há forte pista auditiva para CMV.

O Relatório Clínico da American Academy of Pediatrics de 2026 recomenda valganciclovir oral por 6 meses para lactentes com CMV congênito moderado a grave, incluindo doença multissistêmica ou alterações de neuroimagem como calcificações e ventriculomegalia. A dose recomendada é 16 mg/kg por dose, duas vezes ao dia, total de 32 mg/kg/dia, iniciada o mais precocemente possível e até 13 semanas de vida. Durante o tratamento, devem ser monitorados hemograma, função hepática e função renal, sobretudo pelo risco de neutropenia.

O diagnóstico etiológico deve ser confirmado com PCR para CMV em urina, preferencial, ou saliva coletada nas primeiras 2 a 3 semanas de vida para comprovar origem congênita. Ganciclovir intravenoso fica reservado a situações em que a via oral não é possível ou há doença grave que impeça absorção, com transição para valganciclovir assim que possível.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ganciclovir intravenoso por seis semanas foi utilizado em esquemas históricos e ainda pode ser necessário temporariamente em lactentes incapazes de absorver medicação oral, mas para doença congênita sintomática moderada ou grave o tratamento recomendado atualmente é completar seis meses, preferencialmente com valganciclovir oral.

B) Incorreta. Aciclovir é ativo contra vírus herpes simples e varicela-zóster, mas tem atividade inadequada para o tratamento da citomegalovirose congênita.

C) Incorreta. Sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 12 meses constituem esquema clássico para toxoplasmose congênita. A imagem periventricular, a alteração auditiva e o fenótipo sistêmico favorecem CMV.

D) Correta (gabarito). O quadro é de CMV congênito sintomático com comprometimento multissistêmico e de neuroimagem, indicação de valganciclovir oral por seis meses conforme a AAP 2026.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: CMV congênito lembra calcificação periventricular + perda auditiva; toxoplasmose lembra calcificações difusas + coriorretinite.

  • AAP 2026: doença congênita por CMV moderada ou grave = valganciclovir 16 mg/kg por dose 2 vezes ao dia por 6 meses.

  • Confirme CMV congênito com PCR de urina ou saliva nas primeiras 2 a 3 semanas de vida e monitore neutropenia durante o antiviral.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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