Mulher, 31 anos de idade, com queixa de dor pélvica crônica (Escala Visual Analógica8) realiza ultrassonografia pélvica e observa-se a presença de massa cística de conteúdo heterogêneo linear em vários planos, de aspecto reticular de 4 cm em ovário direito.
Pegadinha central: padrão reticular no ovário lembra cisto hemorrágico; endometrioma clássico lembra “vidro fosco”.
Dor pélvica crônica importante exige procurar endometriose profunda mesmo quando o ultrassom convencional não mostra lesões profundas.
Cirurgia de endometrioma pode reduzir reserva ovariana, portanto indicação deve ser individualizada e precedida de bom mapeamento quando há suspeita de doença extensa.
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Contexto
A paciente tem dor pélvica crônica intensa, com EVA 8, e uma imagem ovariana cística de 4 cm com ecos internos lineares em múltiplos planos formando aspecto reticular. Esse padrão reticular é classicamente descrito em cisto hemorrágico, enquanto o endometrioma típico costuma ter ecos homogêneos de baixa intensidade, em padrão de “vidro fosco”. Portanto, o achado ovariano isolado não deve ser automaticamente rotulado como endometrioma nem levado diretamente à cirurgia.
A dor pélvica crônica importante em mulher jovem mantém endometriose no diagnóstico diferencial, inclusive doença profunda que pode não ser reconhecida em ultrassonografia pélvica convencional. A diretriz ESHRE 2022 recomenda ultrassonografia ou ressonância magnética na investigação de endometriose e enfatiza que a imagem deve ser usada para mapear extensão quando há suspeita de doença profunda. Assim, o próximo passo entre as opções é exame de imagem especializado, como ultrassonografia transvaginal com protocolo para endometriose ou ressonância magnética de pelve conforme disponibilidade e experiência local.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Punção de cisto ovariano não é método diagnóstico de rotina para endometriose e tem risco de recorrência, sangramento, infecção e amostragem inadequada. Citologia negativa também não exclui doença relevante.
B) Incorreta. Cirurgia não deve ser indicada apenas porque há um cisto de 4 cm, especialmente em mulher jovem na qual se deseja preservar reserva ovariana. Antes de operar uma suspeita de endometriose, é útil mapear doença profunda e definir os órgãos eventualmente envolvidos.
C) Correta (gabarito). A dor pélvica crônica intensa justifica investigação dirigida de endometriose profunda com método de imagem especializado, informação que influencia tratamento clínico, necessidade de cirurgia e planejamento da equipe.
D) Incorreta. Um cisto hemorrágico típico pode ser reavaliado por ultrassom em intervalo apropriado em muitos cenários, mas seguimento trimestral isolado não aborda a principal informação clínica do caso, que é dor pélvica crônica intensa com necessidade de investigação etiológica.