Homem, 24 anos de idade, 70 kg, hígido, encostou num fio de alta tensão, com entrada da corrente elétrica nas mãos e saída nos pés. As lesões totalizaram 15% de superfície corpórea.
Pegadinha central: na queimadura elétrica, a pele pode parecer pouco afetada enquanto músculo profundo está gravemente lesionado.
Alta tensão ≥ 1.000 V é critério de avaliação imediata em centro de queimados segundo a American Burn Association.
Monitore ECG, função renal, CK, urina e compartimentos; ajuste fluidos pelo paciente, não por volume fixo arbitrário.
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Contexto
Queimadura elétrica de alta tensão deve ser avaliada como lesão profunda, e não apenas pela aparência da pele. A corrente atravessa tecidos e pode provocar necrose muscular extensa, rabdomiólise, síndrome compartimental, arritmias e lesão renal por hipoperfusão ou pigmentos. A American Burn Association recomenda consulta imediata e consideração de transferência para centro especializado em toda lesão elétrica de alta tensão, ≥ 1.000 V.
Este paciente tem 15% de superfície corporal queimada e trajeto da corrente das mãos aos pés, atravessando o tronco. A internação permite monitorização cardíaca inicial, ECG, avaliação seriada de eletrólitos, função renal, creatinoquinase e débito urinário, além de vigilância de compartimentos. A superfície cutânea pode subestimar a lesão muscular profunda.
Reposição volêmica deve ser individualizada e titulada à perfusão e ao débito urinário. Em lesão elétrica com mioglobinúria pode ser necessário alvo urinário maior que o utilizado em queimadura térmica comum, frequentemente em torno de 1 a 1,5 mL/kg/h em adultos, mas 4 mL/kg/h é excessivo e aumenta risco de sobrecarga.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A extensão da queimadura já justifica avaliação especializada, e a alta tensão acrescenta riscos específicos de arritmia, rabdomiólise, síndrome compartimental e lesão renal aguda, tornando apropriada a internação e monitorização.
B) Incorreta. Administrar 1.000 mL de Ringer lactato a cada 2 horas impõe um volume fixo de 12 litros em 24 horas, sem considerar peso, profundidade da lesão, resposta hemodinâmica ou débito urinário. Reposição deve ser calculada e reavaliada continuamente.
C) Incorreta. Queimadura elétrica com rabdomiólise pode exigir diurese maior que a meta usual, mas 4 mL/kg/h é muito acima dos alvos empregados rotineiramente e pode causar sobrecarga volêmica.
D) Incorreta. Síndrome compartimental é realmente uma preocupação, mas afirmar que a hidratação pode ser mantida “sem maior rigor” é perigoso. Esses pacientes precisam de controle rigoroso de perfusão, débito urinário, eletrólitos e lesão muscular.