Mulher, 68 anos de idade, foi admitida no PS com PA = 80/30 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 30 ipm, SpO2 = 88%, temperatura = 39° C e tempo de enchimento capilar (TEC) = 4 s.
Pegadinha central: DO2 é oferta; VO2 é consumo. A questão pede reduzir demanda, não melhorar perfusão.
Febre aumenta metabolismo e VO2, portanto antitérmico pode reduzir consumo fisiológico de oxigênio.
Na sepse real, antitérmico não substitui antibiótico, ressuscitação hemodinâmica e controle do foco, nem demonstrou benefício de mortalidade quando usado apenas para esse objetivo.
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Contexto
A paciente apresenta choque, provavelmente distributivo por sepse, com hipotensão, taquicardia, hipoxemia, febre de 39 °C e perfusão periférica lentificada. A pergunta, porém, não solicita a melhor medida para aumentar a oferta de oxigênio, DO2, e sim a que reduz o consumo de oxigênio, VO2. Febre eleva o metabolismo, a frequência cardíaca e a demanda tecidual de oxigênio; portanto, reduzir a temperatura com antitérmico diminui diretamente a demanda metabólica.
Isso não significa que antitérmicos sejam tratamento hemodinâmico do choque. A Surviving Sepsis Campaign atualmente sugere contra o uso de antitérmico exclusivamente com o objetivo de melhorar desfechos clínicos em sepse, porque benefício em mortalidade não foi demonstrado. Na questão fisiológica, entretanto, dipirona é a única intervenção listada que atua primariamente reduzindo VO2. Cristaloide, noradrenalina e dobutamina são usados para melhorar perfusão e oferta de oxigênio conforme a situação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ringer lactato pode restaurar volume intravascular e aumentar débito cardíaco e DO2 em paciente responsiva a fluidos, mas não é uma intervenção cujo objetivo direto seja reduzir consumo metabólico de oxigênio.
B) Incorreta. Noradrenalina aumenta a pressão arterial e a pressão de perfusão no choque vasodilatador. Sua função é sustentar circulação e oferta de oxigênio, não reduzir diretamente VO2.
C) Correta (gabarito). Ao tratar a febre de 39 °C, a dipirona reduz parte da demanda metabólica associada à hipertermia e, consequentemente, o consumo de oxigênio. Isso responde exatamente ao que o comando pergunta.
D) Incorreta. Dobutamina aumenta contratilidade e débito cardíaco para elevar DO2 quando há hipoperfusão associada a disfunção cardíaca. Também pode aumentar consumo de oxigênio pelo miocárdio, não sendo medida redutora de VO2.