Lúpus eritematoso sistêmico

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Questão 15
UNIFESP · 2021

Mulher, 36 anos de idade, refere duas perdas gestacionais, ambas do mesmo parceiro, a primeira com 10 semanas e a segunda com 18 semanas. Nega eventos de trombose na família. Exames: cariótipo do casal normal, ultrassonografia endovaginal normal, anticardiolipina IgG e IgM positivos, anticoagulante lúpico negativo, beta2 glicoproteína 1 reagente, TSH = 2,8 mUI/L (normal 045 a 4,5 UI/L).

A conduta na próxima gestação é prescrever:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A perda gestacional com 18 semanas associada a anticorpos antifosfolípides sugere síndrome antifosfolípide obstétrica. Nos critérios clássicos, uma morte fetal inexplicada de feto morfologicamente normal a partir de 10 semanas é manifestação obstétrica compatível. Para estabelecer formalmente a síndrome, os anticorpos antifosfolípides devem apresentar positividade persistente em duas coletas separadas por pelo menos 12 semanas. O enunciado não informa a repetição, mas claramente pretende representar esse diagnóstico.

O tratamento recomendado para síndrome antifosfolípide obstétrica sem trombose prévia é ácido acetilsalicílico em baixa dose associado a heparina em dose profilática, geralmente heparina de baixo peso molecular. A diretriz do American College of Rheumatology de 2020 recomenda essa combinação durante a gestação, e os critérios ACR/EULAR 2023 atualizaram a classificação da síndrome, sem transformar varfarina em tratamento gestacional de escolha. Entre as alternativas, a enoxaparina é o componente correto disponível.

Os anticorpos anticardiolipina e anti-beta2-glicoproteína I só contam para classificação quando apresentam títulos e persistência compatíveis. Anticoagulante lúpico negativo não exclui síndrome se outros anticorpos qualificadores estiverem persistentemente positivos.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Progesterona pode ter papel em situações específicas de perda gestacional, mas não trata o mecanismo trombótico e placentário da síndrome antifosfolípide.

B) Correta (gabarito). Enoxaparina é heparina de baixo peso molecular segura para uso gestacional e integra, em dose profilática, o tratamento padrão da síndrome antifosfolípide obstétrica, geralmente em associação a AAS em baixa dose.

C) Incorreta. Levotiroxina não trata síndrome antifosfolípide. O TSH apresentado não estabelece hipotireoidismo que explique as perdas gestacionais.

D) Incorreta. Varfarina atravessa a placenta e pode causar embriopatia e sangramento fetal, por isso não é o anticoagulante rotineiro para síndrome antifosfolípide durante a gestação.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: SAF obstétrica na gestação = AAS em baixa dose + heparina profilática, geralmente enoxaparina.

  • Anticorpo positivo uma única vez não basta: é preciso demonstrar persistência em intervalo de pelo menos 12 semanas para diagnóstico laboratorial clássico.

  • Varfarina é evitada durante a gestação porque atravessa a placenta; heparinas não atravessam.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Lúpus eritematoso sistêmico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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