Mulher, 78 anos de idade, refere dor abdominal há 10 dias, aumento do volume abdominal há 3 meses, emagrecimento recente e inapetência. Realizou ultrassom pélvico que evidenciou imagem cística de limites parcialmente definidos na região anexial esquerda, com projeções nodulares na sua parede, com fluxo vascular ao estudo Doppler e sem septações, medindo cerca 3,1 x 3,7 x 4,1 cm. O maior componente nodular mede cerca de 1, 3x1, 3x1, 1 cm e também possui fluxo vascular ao estudo Doppler.
Pegadinha central: massa anexial pós-menopausa com nódulo ou papila vascularizada é suspeita de malignidade.
O tamanho relativamente pequeno não neutraliza sinais ultrassonográficos de alto risco.
Suspeita oncológica deve chegar ao ginecologista oncologista antes da primeira cirurgia.
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Contexto
Em mulher de 78 anos, massa anexial cística com projeções nodulares vascularizadas, limites parcialmente definidos, emagrecimento, inapetência e aumento do volume abdominal deve ser considerada suspeita para neoplasia ovariana até avaliação especializada. A presença de componente sólido ou papilar com fluxo ao Doppler aumenta significativamente a preocupação com malignidade e não combina com simples cisto funcional.
O objetivo não é realizar uma cirurgia qualquer, mas encaminhar para ginecologia oncológica, porque, quando há câncer, o prognóstico depende de estadiamento e cirurgia citorredutora adequados desde o primeiro procedimento. Avaliação adicional costuma incluir marcadores tumorais e imagem abdominal e pélvica conforme o contexto, mas nenhuma dessas etapas justifica punção percutânea rotineira de uma massa anexial potencialmente maligna.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Torção não é o risco dominante neste quadro. Os sintomas constitucionais e os nódulos vascularizados levantam suspeita de malignidade, e eventual cirurgia deve ser planejada em ambiente oncológico.
B) Incorreta. Cistos funcionais dependem de atividade ovariana e são improváveis aos 78 anos. Além disso, projeções papilares ou nodulares com vascularização são achados suspeitos, não características tranquilizadoras.
C) Correta (gabarito). Idade avançada, sintomas sistêmicos e componente nodular vascularizado justificam referência a serviço de oncologia ginecológica para investigação e tratamento adequados.
D) Incorreta. Punção transvaginal ou percutânea de massa suspeita não é método diagnóstico rotineiro porque pode fornecer amostra insuficiente e, em cenário de câncer, criar risco de ruptura ou disseminação. O diagnóstico definitivo costuma ser obtido no contexto cirúrgico apropriado.