Homem, 49 anos de idade, em uso de betabloqueador será submetido à colecistectomia eletiva.
Pegadinha central: betabloqueador crônico continua; não suspenda abruptamente antes da cirurgia.
Continuar é diferente de começar um betabloqueador novo no dia da operação.
Bradicardia importante, hipotensão ou choque podem exigir individualização da dose.
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Contexto
Betabloqueadores de uso crônico devem ser mantidos no perioperatório. A diretriz multisocietária AHA/ACC de 2024 sobre manejo cardiovascular perioperatório em cirurgia não cardíaca recomenda continuar betabloqueadores nos pacientes que já os utilizam de forma estável. A retirada abrupta pode causar hiperatividade simpática de rebote, com taquicardia, hipertensão, aumento da demanda miocárdica e isquemia.
Isso é diferente de iniciar um betabloqueador novo imediatamente antes da cirurgia. Quando há uma indicação nova, a introdução deve ocorrer com antecedência suficiente para ajuste e avaliação de tolerabilidade, e não no dia do procedimento apenas para reduzir risco perioperatório.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O betabloqueador utilizado cronicamente deve ser mantido até o dia da cirurgia, salvo contraindicação clínica superveniente como bradicardia ou choque.
B) Incorreta. Suspender uma semana antes expõe o paciente a fenômeno rebote adrenérgico e pode aumentar risco cardiovascular.
C) Incorreta. Não há recomendação de reduzir empiricamente a dose pela metade apenas porque haverá cirurgia. Ajustes dependem de pressão, frequência cardíaca e condição clínica.
D) Incorreta. Não existe indicação rotineira de substituir betabloqueador por bloqueador de canal de cálcio no pré-operatório.