Maus-tratos e violência contra a criança

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Questão 63
UNIFESP · 2022

Menina, 1 ano de idade, foi trazida ao PS por profissionais da creche preocupados com possível violência física contra a menor. Na avaliação, lactente está irritada e apresenta hematomas em região de nádegas, com restante do exame físico normal. Pais chegam mais tarde, relatando que os hematomas eram devidos a queda da própria altura há 2 dias. Mostravam-se ansiosos e querendo levar sua filha embora.

Qual a medida mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Hematomas em nádegas de uma criança de 1 ano são um sinal de alerta para violência física, sobretudo quando a história apresentada não é claramente compatível com a localização e o mecanismo. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta avaliar sistematicamente lesões em regiões cobertas ou posteriores, como costas e glúteos, confrontar a explicação com o estágio de desenvolvimento e realizar exame completo em busca de outras lesões. A literatura pediátrica recente também mostra maior associação de hematomas em tronco, orelhas, pescoço e nádegas com trauma abusivo do que com acidentes habituais.

A avaliação clínica deve ocorrer em paralelo às medidas de proteção. Não é necessário provar a violência para notificar. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos devem ser comunicados ao Conselho Tutelar, além da notificação prevista pelo sistema de saúde. Portanto, a alternativa D é a melhor porque descreve a etapa clínica imediata que falta no caso, mas a busca de evidências não deve atrasar notificação, proteção ou tratamento.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Dar alta imediatamente para os responsáveis antes de completar a avaliação de segurança pode recolocar a criança em risco. A comunicação ao Conselho Tutelar é pertinente diante da suspeita, mas não transforma uma alta potencialmente insegura em conduta adequada.

B) Incorreta. Segurança hospitalar pode ser necessária se houver risco concreto e iminente de retirada indevida da criança ou agressão, mas não é a primeira resposta clínica isolada e não substitui avaliação médica, proteção institucional e acionamento da rede competente.

C) Incorreta. Serviço social é parte importante da abordagem multiprofissional, porém a decisão não deve ser delegada exclusivamente a esse profissional. Médico, enfermagem, serviço social e rede de proteção têm responsabilidades próprias.

D) Correta (gabarito). É preciso realizar exame físico completo e investigação dirigida em busca de lesões compatíveis com violência, considerando idade, mobilidade, distribuição dos hematomas e coerência da história. Essa avaliação ocorre junto das medidas de notificação e proteção, sem exigir confirmação prévia do abuso.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: suspeita de violência exige investigar e proteger; a notificação não espera certeza diagnóstica.

  • Hematomas em áreas protegidas, posteriores ou incompatíveis com o desenvolvimento merecem investigação de trauma não acidental.

  • Nunca delegue a decisão inteira ao serviço social. Violência contra criança exige atuação multiprofissional e em rede.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Maus-tratos e violência contra a criança” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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