Pré-natal de baixo risco

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Questão 37
UNIFESP · 2022

Gestante, 39 anos de idade, 2G 1P normal anterior (nativivo de termo, 3 950 gr), veio para consulta pré-natal de rotina. Os dados de seguimento estão a seguir. DUM: 03/01/2021 Peso inicial: 70 kg Est: 1,61 m IMC inicial: 27 kg/m2 Exames: 08/03/2021 Hb = 10,1, Ht = 31, Leucograma = 10 200, Plaquetas: 221 100, Glicemia de jejum: 94 mg/dL, Sorologias: VDRL não reagente/ Teste rápido não reagente, HIV: não reagente, HBsAg: não reagente, Hepatite C: não reagente, Toxoplasmose: IgG reagente; IgM não reagente, Rubéola: IgG reagente; IgM não reagente.

Figura da questão 37 da UNIFESP 2022
Figura da questão

A alternativa que descreve os exames que devem ser solicitados na consulta de 20 de julho é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Pela DUM de 03/01/2021, a consulta de 20/07/2021 ocorre com aproximadamente 28 semanas e 2 dias. Esse é o momento de repetir exames de rastreamento do terceiro trimestre, especialmente hemograma, HIV e sífilis. O hemograma tem valor adicional nesta paciente porque a avaliação inicial já mostrava Hb 10,1 g/dL e Ht 31%, compatíveis com anemia na gestação e que merecem reavaliação.

A pegadinha está na glicemia inicial. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes 2026 considera diabetes mellitus gestacional quando a glicemia plasmática de jejum na gestação está entre 92 e 125 mg/dL. A paciente teve 94 mg/dL no início do pré-natal, portanto já preencheu critério de DMG e não precisa de TOTG de 75 g para estabelecer o diagnóstico. O TOTG entre 24 e 28 semanas é indicado para quem ainda não recebeu o diagnóstico e tinha glicemia inicial abaixo de 92 mg/dL.

A sorologia de toxoplasmose mostrou IgG reagente e IgM não reagente, padrão de infecção passada e imunidade, por isso não há motivo para repetir serologia seriada. Já a cultura para estreptococo do grupo B é feita mais tarde, em geral entre 36 e 37 semanas segundo protocolos obstétricos atuais, e não nessa consulta de 28 semanas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. HIV e sífilis devem ser repetidos, mas o TOTG é desnecessário porque a glicemia de jejum de 94 mg/dL já estabeleceu DMG. A alternativa também deixa de incluir o hemograma, importante no terceiro trimestre e ainda mais nesta paciente anêmica.

B) Correta (gabarito). Em torno de 28 semanas, hemograma, HIV e sífilis compõem a reavaliação indicada. Esse conjunto respeita o fato de que o diagnóstico de DMG já foi feito pela glicemia inicial.

C) Incorreta. O TOTG não acrescenta diagnóstico de DMG nesta paciente e toxoplasmose não precisa ser repetida porque ela já tem IgG positivo e IgM negativo. O hemograma, HIV e sífilis, por outro lado, são pertinentes.

D) Incorreta. Hemograma, HIV e sífilis estão adequados, mas a pesquisa de estreptococo do grupo B é precoce nessa idade gestacional. O rastreamento é feito próximo ao termo para que o resultado represente melhor a colonização no momento do parto.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: glicemia de jejum 92 a 125 mg/dL na gestação já fecha DMG, então não se pede TOTG apenas para confirmar.

  • No início do terceiro trimestre, pense em repetir hemograma, HIV e sífilis.

  • Toxoplasmose IgG positiva e IgM negativa indica imunidade pregressa; quem precisa de seguimento sorológico é a gestante suscetível.

  • Estreptococo do grupo B fica para mais perto do termo, em geral entre 36 e 37 semanas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pré-natal de baixo risco” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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