Homem, 21 anos de idade, é admitido no PS, vítima de ferimento penetrante por arma branca no tórax. Exame físico: consciente, FC = 130 bpm, PA = 80 x 50 mmHg, FR 28 irpm, ausência de estase jugular, lesão cortocontusa de 3 cm no hemitórax esquerdo, no 4o espaço intercostal.
Pegadinha central: instabilidade hemodinâmica muda o exame de escolha; primeiro vem método rápido no leito, não tomografia.
eFAST = FAST + pesquisa torácica, especialmente pneumotórax e hemotórax.
Ausência de turgência jugular não exclui tamponamento no trauma, sobretudo com hipovolemia associada.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Trata-se de trauma torácico penetrante com choque: FC 130 bpm e PA 80 x 50 mmHg. O exame inicial deve ser realizado à beira do leito, sem retirar o paciente instável da sala de reanimação, e precisa procurar rapidamente causas torácicas reversíveis de choque, sobretudo hemopericárdio com tamponamento, pneumotórax e hemotórax.
O eFAST, ou ultrassonografia point-of-care expandida, acrescenta ao FAST tradicional a avaliação pleuropulmonar para pneumotórax e hemotórax. Isso é especialmente útil neste caso porque a lesão está no hemitórax esquerdo, em topografia de risco para coração, pulmão e vasos. A ausência de estase jugular não exclui tamponamento em paciente hipovolêmico, pois a hipovolemia pode impedir o aparecimento de turgência venosa clássica.
Em trauma instável, o POCUS não deve atrasar uma intervenção imediatamente indicada por achados clínicos, como descompressão de pneumotórax hipertensivo. Seu valor é acelerar a identificação do mecanismo de choque e orientar o próximo passo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O FAST convencional pesquisa principalmente líquido livre intraperitoneal e hemopericárdio. Ele é útil, mas não contempla de forma tão completa a avaliação pleural para pneumotórax e hemotórax que caracteriza o exame expandido.
B) Incorreta. Angiografia com subtração digital exige deslocamento, tempo e infraestrutura incompatíveis com a avaliação inicial de um paciente em choque. Pode ter papel posterior em lesões vasculares selecionadas após estabilização.
C) Incorreta. Angiotomografia é excelente em trauma torácico estável, mas um paciente com PA 80 x 50 mmHg não deve ser transportado para tomografia antes de identificar e tratar causas imediatamente reversíveis de choque.
D) Correta (gabarito). O POCUS expandido permite examinar coração, pleuras e cavidade abdominal no leito, procurando rapidamente tamponamento, hemotórax, pneumotórax e hemoperitônio sem interromper a ressuscitação.