Mulher, 40 anos de idade, nuligesta, iniciou vida sexual recentemente e gostaria de método contraceptivo. Refere enxaqueca sem aura e convulsões há 5 anos e faz uso de topiramato diariamente.
Pegadinha central: topiramato não torna todos os progestagênios igualmente inadequados; a vulnerabilidade depende do método.
OMS MEC 2025: pílula somente de progestagênio com topiramato = categoria 3.
DMPA e DIU-LNG são opções que não perdem eficácia de forma clinicamente relevante por essa interação.
Categoria 3 não significa proibição absoluta; significa que, em geral, outra opção é preferível.
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Contexto
A paciente usa topiramato, anticonvulsivante incluído pela OMS na Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 6ª edição de 2025, entre os fármacos capazes de reduzir a eficácia de determinados contraceptivos hormonais por indução enzimática. O problema da questão não é toxicidade do método, mas perda de eficácia contraceptiva.
Na classificação MEC, categoria 1 significa ausência de restrição; categoria 2, vantagens geralmente superam riscos; categoria 3, riscos teóricos ou comprovados geralmente superam as vantagens; categoria 4, risco inaceitável. Para uso prolongado de anticonvulsivantes indutores, a pílula somente de progestagênio é classificada como categoria 3 porque sua concentração pode cair e a proteção contraceptiva tornar-se menos confiável.
A enxaqueca sem aura não muda a classificação dos métodos exclusivamente progestagênicos apresentados. O fator que discrimina as alternativas é a interação medicamentosa com o topiramato.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Desogestrel oral é uma pílula somente de progestagênio. Com topiramato em uso crônico, a OMS classifica essa combinação como categoria 3 pela possibilidade de redução da eficácia contraceptiva.
B) Incorreta. O implante de etonogestrel também pode sofrer redução de concentração com anticonvulsivantes indutores, mas sua categoria é 2 no esquema MEC usado para essa interação, e não a categoria 3 solicitada.
C) Incorreta. A medroxiprogesterona de depósito mantém eficácia suficiente apesar desses anticonvulsivantes e é categoria 1 para essa interação. É uma das opções hormonais mais confiáveis quando se deseja evitar o efeito da indução enzimática.
D) Incorreta. O DIU de levonorgestrel é categoria 1 para essa interação porque o seu efeito contraceptivo é predominantemente intrauterino e não depende de concentrações sistêmicas susceptíveis à mesma redução de eficácia.