Menino, 25 dias de idade, previamente hígido, há 2 dias apresenta febre intermitente de 38 a 39oC e dor à movimentação da perna direita nas trocas de fraldas. Exame físico: dor e limitação à rotação interna do quadril direito. Você indica a punção articular.
Pegadinha central: a etiologia da artrite séptica muda com a idade. No neonato, pense em S. aureus + GBS + Gram-negativos.
Entre 6 e 48 meses, Kingella kingae ganhou grande importância com métodos moleculares modernos.
Febre + pseudoparalisia ou dor intensa à mobilização de uma articulação em lactente exige investigação urgente de infecção osteoarticular.
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Contexto
O quadro é de artrite bacteriana aguda do quadril em um recém-nascido de 25 dias: febre, pseudoparalisia por dor à mobilização e limitação articular exigem punção do líquido sinovial para cultura e avaliação microbiológica. A diretriz PIDS/IDSA 2023 para artrite bacteriana pediátrica exclui neonatos de suas recomendações terapêuticas justamente porque essa faixa etária tem epidemiologia própria, mas destaca que, nos lactentes muito jovens, além de Staphylococcus aureus, devem ser lembrados estreptococo do grupo B e bacilos Gram-negativos, especialmente enterobactérias como Escherichia coli.
A etiologia muda com a idade. Entre 6 e 48 meses, Kingella kingae ganha grande importância; em crianças maiores, S. aureus permanece dominante e estreptococo do grupo A também é relevante; em adolescentes sexualmente ativos, Neisseria gonorrhoeae entra no diagnóstico diferencial. No neonato, porém, a bacteremia por germes adquiridos no período perinatal explica a combinação clássica cobrada pela questão.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Estreptococo do grupo B e bacilos Gram-negativos são agentes característicos da artrite séptica neonatal, somando-se ao S. aureus entre os principais patógenos dessa faixa etária.
B) Incorreta. Haemophilus influenzae tipo b foi agente importante antes da vacinação conjugada, mas hoje é incomum em populações adequadamente imunizadas e não compõe a dupla típica do período neonatal.
C) Incorreta. Pneumococo e estreptococo do grupo A podem causar artrite bacteriana, mas não representam a combinação epidemiologicamente mais característica em um recém-nascido de 25 dias.
D) Incorreta. Estreptococo do grupo A é possível em pediatria, mas artrite gonocócica é lembrada principalmente em adolescentes com exposição sexual ou em situações perinatais específicas, não como uma das etiologias mais frequentes da artrite séptica neonatal.