Mulher, 75 anos de idade, chega ao PS acompanhada por familiar devido a alteração de comportamento iniciado há dois dias. Já está em seguimento com o geriatra há 3 anos por dificuldade de realizar as atividades domésticas, confundindo o nome de pessoas, com discurso repetitivo e bastante esquecida. Exame físico: inquieta, desatenta durante a consulta e sem déficits motores.
Pegadinha central: demência é crônica e compromete função; delirium é agudo, flutuante e dominado por desatenção.
Comprometimento cognitivo leve preserva independência funcional.
Delirium em idoso é síndrome de causa orgânica até prova em contrário; procure infecção, fármacos, distúrbios metabólicos, dor e retenções.
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Contexto
Há dois processos em tempos diferentes. O quadro de três anos de esquecimento progressivo, discurso repetitivo, confusão de nomes e perda da capacidade de realizar atividades domésticas caracteriza síndrome demencial, atualmente enquadrada como transtorno neurocognitivo maior, porque o declínio cognitivo já interfere na independência funcional. O comprometimento cognitivo leve preserva, por definição, a independência nas atividades cotidianas.
Sobre esse quadro crônico surgiu, em dois dias, inquietação e desatenção. Delirium é uma síndrome aguda e flutuante de alteração da atenção e da consciência, frequentemente precipitada por infecção, medicamentos, distúrbios metabólicos, dor, retenção urinária, constipação ou mudança ambiental. A característica discriminadora é a desatenção de início agudo. Em idosos com demência, delirium sobreposto é comum e deve desencadear investigação imediata da causa precipitante.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Depressão pode causar queixas cognitivas, mas o enunciado mostra declínio progressivo com perda funcional durante anos, mais compatível com síndrome demencial. Além disso, “quadro infeccioso” seria uma etiologia possível do episódio agudo, não o diagnóstico sindrômico descrito.
B) Incorreta. Comprometimento cognitivo leve não causa perda importante de autonomia para atividades domésticas. AVC também não é a melhor explicação para desatenção e inquietação sem déficit focal e com mudança comportamental global.
C) Incorreta. Doença de Alzheimer é uma etiologia possível para a síndrome demencial, mas o enunciado não fornece dados suficientes para defini-la como causa específica. O quadro agudo com desatenção é delirium, não primeiro episódio psicótico.
D) Correta (gabarito). O declínio cognitivo crônico com prejuízo funcional caracteriza síndrome demencial, e a alteração aguda da atenção e do comportamento caracteriza delirium sobreposto.