Mulher, 21 anos de idade, nuligesta, refere menstruações irregulares, sem cólica, com intervalos bimestrais e com duração de 5 dias desde a menarca. Também refere acne e obesidade há 6 anos e não iniciou atividade sexual. Procurou a UBS e foi solicitada uma ultrassonografia que mostrou útero sem alterações e ovários com cisto simples à direita medindo 18 mm e ovário esquerdo normal.
Pegadinha central: o nome SOP não exige ovário policístico no ultrassom.
Fenótipo B = hiperandrogenismo + disfunção ovulatória, sem morfologia policística.
Cisto simples isolado de 18 mm não conta como critério morfológico de SOP.
Antes de rotular SOP, exclua causas como disfunção tireoidiana, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal congênita não clássica conforme o contexto.
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Contexto
A paciente apresenta dois componentes diagnósticos centrais para síndrome dos ovários policísticos: disfunção ovulatória, evidenciada por ciclos bimestrais persistentes desde a menarca, e hiperandrogenismo clínico sugerido pela acne persistente. Obesidade é frequentemente associada à síndrome, mas não é critério diagnóstico.
A Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP de 2023 mantém, em adultas, a lógica de Rotterdam: após excluir diagnósticos que mimetizam a síndrome, o diagnóstico requer 2 de 3 componentes, hiperandrogenismo clínico ou bioquímico, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. Quando hiperandrogenismo e ciclos irregulares já estão presentes, ultrassonografia não é necessária para fechar o diagnóstico.
O cisto simples de 18 mm não representa morfologia policística. Um folículo dominante ou pequeno cisto funcional isolado não equivale ao aumento do número de folículos antrais ou ao aumento do volume ovariano exigidos para o componente morfológico da SOP. Assim, o padrão da questão corresponde ao fenótipo B.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O fenótipo A exige os três componentes: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia policística. O ultrassom não demonstra ovário policístico.
B) Incorreta. Síndrome do folículo luteinizado não roto é uma alteração do processo ovulatório em que há luteinização sem ruptura folicular. Não explica um padrão crônico desde a menarca associado a hiperandrogenismo.
C) Incorreta. Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser cursa com agenesia ou hipoplasia mülleriana, particularmente ausência uterina ou uterovaginal, e costuma se apresentar com amenorreia primária. Aqui há útero normal e menstruações, embora irregulares.
D) Correta (gabarito). Disfunção ovulatória mais hiperandrogenismo, sem morfologia policística, definem o fenótipo B da SOP após exclusão de outras causas.