Em uma UBS, uma criança com 7 dias de vida é atendida e em seu relatório de alta da maternidade consta o seguinte: Mãe com VDRL na ocasião do parto com título de 1/8 e teste treponêmico reagente, tratada adequadamente para sífilis 45 dias antes do parto. O recém-nascido, assintomático, tem título de VDRL 1/4, líquor sem alterações, hemograma normal e radiografia de ossos longos normal.
Pegadinha central: “duas diluições acima” = aumento de quatro vezes. Materno 1:8 exige RN ≥ 1:32 para esse critério.
Criança exposta é acompanhada com VDRL/RPR quantitativo em 1, 3, 6, 12 e 18 meses.
Teste treponêmico pode permanecer reagente por anticorpos maternos; não é o marcador seriado de atividade no lactente.
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Contexto
O PCDT do Ministério da Saúde para IST, com atualização de anexo em 2024, diferencia criança exposta à sífilis de caso de sífilis congênita. O tratamento materno é considerado adequado quando é completo para o estágio clínico, feito com benzilpenicilina benzatina e iniciado até 30 dias antes do parto. No enunciado, a mãe foi adequadamente tratada 45 dias antes do parto.
O recém-nascido está assintomático, tem avaliação complementar normal e VDRL 1:4, enquanto a mãe tem VDRL 1:8. Um título neonatal sugestivo de sífilis congênita seria pelo menos duas diluições acima do materno, isto é, quatro vezes maior. Se a mãe tem 1:8, esse critério seria atingido a partir de 1:32. Aqui o título do recém-nascido é menor, portanto o quadro é de criança exposta, não de sífilis congênita.
O seguimento deve utilizar teste não treponêmico quantitativo, como VDRL ou RPR, aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses, podendo ser encerrado após critérios de negativação previstos no protocolo. Testes treponêmicos não servem para acompanhar queda de atividade porque anticorpos maternos podem persistir por meses. A sífilis congênita, quando configurada, é de notificação compulsória regular, atualmente em até sete dias.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O seguimento laboratorial proposto está correto, mas a criança não preenche os critérios apresentados para sífilis congênita. Além disso, a notificação de sífilis congênita é compulsória regular, em até sete dias, e não especificamente em 24 horas.
B) Correta (gabarito). Tratamento materno adequado, recém-nascido assintomático, exames normais e VDRL neonatal não superior ao materno em duas diluições caracterizam criança exposta, com seguimento por teste não treponêmico quantitativo aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses.
C) Incorreta. A classificação como sífilis congênita está errada e o teste treponêmico não é o exame seriado de escolha para monitorar resposta ou desaparecimento dos anticorpos ao longo dos primeiros meses.
D) Incorreta. A classificação como criança exposta está correta, mas o seguimento seriado deve ser feito com teste não treponêmico quantitativo, e não com testes treponêmicos.