Homem, 34 anos de idade, apresenta níveis de fosfatase alcalina persistentemente elevados. Retocolite ulcerativa diagnosticada há 3 anos. Exame físico e demais exames laboratoriais sem alterações.
Pegadinha central: retocolite ulcerativa + fosfatase alcalina elevada = pense primeiro em colangite esclerosante primária.
O exame de imagem inicial preferido é colangiorressonância, não CPRE diagnóstica de rotina.
CEP aumenta o risco de colangiocarcinoma e, quando associada a doença inflamatória intestinal, de câncer colorretal.
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Contexto
A associação entre retocolite ulcerativa e elevação persistente de fosfatase alcalina deve levantar imediatamente a hipótese de colangite esclerosante primária. Trata-se de colangiopatia inflamatória e fibrosante crônica dos ductos biliares intra e extra hepáticos, fortemente associada às doenças inflamatórias intestinais, sobretudo à retocolite ulcerativa.
O padrão laboratorial típico é colestático, com elevação de fosfatase alcalina e gama glutamiltransferase, podendo existir poucos ou nenhum sintoma nas fases iniciais. A colangiorressonância é o exame não invasivo de escolha para demonstrar estenoses multifocais alternadas com segmentos de calibre preservado ou dilatado. A doença aumenta o risco de colangiocarcinoma e, quando associada à retocolite, também aumenta o risco de neoplasia colorretal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Calculose biliar pode causar colestase quando há obstrução de via biliar, mas não explica tão bem uma elevação canalicular persistente e assintomática em paciente jovem com retocolite ulcerativa.
B) Correta (gabarito). A combinação de retocolite ulcerativa e fosfatase alcalina persistentemente elevada é uma apresentação clássica de colangite esclerosante primária.
C) Incorreta. Hepatotoxicidade medicamentosa depende de exposição compatível e pode assumir vários padrões laboratoriais. O enunciado não fornece essa pista e oferece uma associação muito mais específica com colangite esclerosante primária.
D) Incorreta. Hepatite autoimune costuma produzir padrão hepatocelular, com elevação predominante de aminotransferases e hipergamaglobulinemia. Pode haver síndrome de sobreposição, mas esse não é o diagnóstico mais provável no caso apresentado.