Primigesta de 41 semanas, 28 anos de idade, relata diminuição da movimentação fetal. Pré-natal sem complicações, feto com crescimento e desenvolvimento normais. Exame físico: bom estado geral, sinais vitais normais, altura uterina 34 cm, BCF 140 bpm, dinâmica uterina ausente. Toque: apresentação cefálica, plano –2, colo pérvio para 2 cm, 40% de esvaecimento e bolsa íntegra. Perfil biofísico fetal de 8 com a seguinte cardiotocografia:

Pegadinha central: cardiotocografia não reativa não é sinônimo automático de sofrimento fetal nem de cesárea.
Após 32 semanas, procure 2 acelerações de pelo menos 15 bpm por pelo menos 15 segundos em até 40 minutos para considerar o teste reativo.
Gestação com 41 semanas deve caminhar para resolução; se o colo é desfavorável, faça maturação cervical antes da ocitocina, desde que a avaliação fetal permita.
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Contexto
A cardiotocografia mostrada tem linha de base em torno de 140 bpm, sem desacelerações relevantes, mas não apresenta acelerações suficientes para preencher critério de reatividade no trecho registrado. Após 32 semanas, a referência usada pela FEBRASGO considera traçado normal quando há pelo menos 2 acelerações de 15 bpm ou mais, com duração de pelo menos 15 segundos, dentro de até 40 minutos. A ausência inicial dessas acelerações pode refletir ciclo de sono fetal, por isso um traçado sem outros sinais de gravidade deve ser prolongado antes de ser rotulado como anormal e antes de indicar cesárea.
A paciente tem 41 semanas e queixa de redução da movimentação fetal. Mesmo com perfil biofísico 8, não é adequado simplesmente mandá-la para casa por vários dias. A cardiotocografia deve ser prolongada e reavaliada. Como a gestação já alcançou 41 semanas, há indicação de resolução programada da gestação, e o colo descrito, 2 cm de dilatação, 40% de esvaecimento e apresentação em plano -2, é pouco favorável para começar diretamente com ocitocina. Na ausência de contraindicação, a maturação cervical com misoprostol é uma estratégia apropriada.
O ponto de prova é separar não reatividade de um traçado francamente patológico. Não reatividade isolada pede mais tempo de registro e avaliação complementar. Cesárea imediata é reservada para situações em que o traçado ou o conjunto clínico indique comprometimento fetal que não permita aguardar indução.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O traçado apresentado não preenche os critérios de reatividade e a gestante relata diminuição da movimentação fetal com 41 semanas. Retorno apenas em 3 dias adia uma avaliação que deve ser concluída agora e também posterga a resolução de uma gestação já pós-data.
B) Incorreta. A ausência de acelerações nesse registro, sem desacelerações graves ou bradicardia sustentada, não determina cesárea imediata. Primeiro deve-se prolongar a cardiotocografia e reclassificar o traçado. Se aparecerem alterações francamente patológicas, aí a via e a urgência do parto são revistas.
C) Incorreta. A cardiotocografia não é reativa no trecho mostrado e o colo não é favorável. Ocitocina isolada é melhor empregada quando há condições cervicais mais adequadas ou depois da maturação do colo.
D) Correta (gabarito). A conduta combina os dois problemas: prolongar o traçado para esclarecer a não reatividade e, em uma gestação de 41 semanas com colo desfavorável, iniciar preparo cervical com misoprostol se a reavaliação fetal continuar permitindo indução.