Criança, 9 meses de idade, sexo masculino, previamente saudável, é admitido no PS em bom estado geral, com história de choro intenso com períodos de acalmia sugestivos de dor abdominal em cólica e vômitos. Após algumas horas, apresentou distensão abdominal e evacuação com muco sanguinolento.
Pegadinha central: fezes com muco e sangue são tardias; o achado inicial mais útil é a dor cólica episódica com intervalos de melhora.
US mostra sinal do alvo e é o exame inicial de escolha.
Estável e sem perfuração/peritonite: tente redução por enema antes de cirurgia.
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Contexto
O quadro é clássico de invaginação intestinal: lactente de 9 meses com episódios de dor em cólica intensa intercalados por períodos de acalmia, vômitos e, mais tarde, distensão e fezes com muco e sangue. A chamada geleia de groselha é um achado tardio e não precisa estar presente no início. A faixa etária típica é de lactentes e crianças pequenas, e a maioria dos casos ileocólicos é idiopática, frequentemente associada a hiperplasia linfoide.
O American College of Radiology considera a ultrassonografia abdominal o exame inicial de escolha na suspeita de invaginação. O achado típico é a imagem em alvo ou rosquinha em corte transversal. Em criança estável, sem perfuração ou peritonite, o tratamento preferencial é redução não operatória por enema pneumático ou hidrostático, sob controle fluoroscópico ou ultrassonográfico. Assim, o ultrassom pode participar tanto do diagnóstico quanto da condução terapêutica quando orienta redução hidrostática.
Cirurgia fica para perfuração, peritonite, instabilidade, falha da redução por enema ou situações em que uma causa anatômica exige abordagem operatória.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Colonoscopia não é o exame inicial de escolha e não é o método padrão de redução. O sangramento é consequência da congestão e isquemia da mucosa invaginada, não uma indicação de colonoscopia urgente.
B) Incorreta. Divertículo de Meckel com mucosa gástrica ectópica costuma causar sangramento intestinal indolor. Pode servir como ponto guia de invaginação, especialmente fora da faixa etária típica, mas não é a causa mais frequente dos casos em lactentes.
C) Correta (gabarito). Ultrassom confirma a invaginação com alta acurácia e pode guiar enema hidrostático, permitindo que o mesmo método de imagem acompanhe a redução em centros que utilizam essa técnica.
D) Incorreta. A criança não vai diretamente para cirurgia se estiver estável e sem perfuração ou peritonite. A redução por enema é a primeira estratégia terapêutica na maioria dos casos ileocólicos.