Homem, 34 anos de idade, apresenta há 3 dias tosse com expectoração amarela, sem sangue, dor torácica posterior direita que piora com a tosse ou respiração profunda, e sem falta de ar. Previamente saudável, refere alergia na infância com uso de sulfa, amoxacilina e anti-inflamatórios não hormonais. Exame físico: febril (38,9°C), PA = 110 / 80 mmHg, FC = 88 bpm, FR = 16 irpm, SpO2 97% em ar ambiente, presença de estertores finos na base pulmonar direita, sem outras alterações. Radiografia de tórax: consolidação em lobo inferior direito.
Pegadinha central: pneumonia comunitária leve e estável é tratada por via oral; antibiótico venoso amplo não é prêmio por haver consolidação radiológica.
Na diretriz ATS/IDSA vigente, amoxicilina ou doxiciclina são opções preferenciais para adulto ambulatorial saudável; macrolídeo isolado depende da resistência local.
História de “alergia a antibiótico” deve ser qualificada pelo tipo de reação, porque muitos rótulos de alergia a penicilina não correspondem a hipersensibilidade verdadeira.
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Contexto
O quadro é de pneumonia adquirida na comunidade em adulto jovem, previamente saudável, sem hipoxemia, taquipneia, hipotensão ou outra evidência de gravidade. A consolidação lobar confirma o diagnóstico radiológico e, pela estabilidade clínica, o tratamento pode ser ambulatorial e por via oral. A diretriz ATS/IDSA de 2019, ainda vigente, recomenda para adultos ambulatoriais sem comorbidades relevantes amoxicilina ou doxiciclina; macrolídeo isolado é opção apenas onde a resistência pneumocócica local aos macrolídeos é inferior a 25%. Fluoroquinolona respiratória é mais frequentemente reservada a pacientes com comorbidades ou quando as opções usuais não podem ser utilizadas.
Há uma divergência entre o gabarito histórico e a estratégia preferencial atual. O enunciado relata antecedente de alergia durante uso de amoxicilina, mas não descreve o fenótipo da reação, e alergia medicamentosa deve idealmente ser caracterizada antes de excluir toda a classe dos betalactâmicos. Entre as alternativas oferecidas, a prova escolheu a quinolona respiratória oral por evitar o betalactâmico implicado e manter cobertura adequada para pneumococo. Esse é o motivo para manter o gabarito A, embora a escolha atual possa ser individualizada e frequentemente inclua doxiciclina ou, em situações selecionadas, macrolídeo.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Mantendo o gabarito da prova, uma quinolona respiratória oral oferece tratamento ambulatorial com boa cobertura para os principais agentes da pneumonia comunitária e evita a amoxicilina implicada no antecedente de alergia. Na prática atual, seu uso deve ponderar eventos adversos e disponibilidade de alternativas mais estreitas.
B) Incorreta. A alternativa mistura duas possibilidades diferentes. Betalactâmico não seria escolhido sem esclarecer a história de alergia à amoxicilina, e macrolídeo isolado só é recomendado pelas diretrizes atuais quando a resistência pneumocócica local é suficientemente baixa. Por isso, a formulação ampla da alternativa não é a melhor resposta da prova.
C) Incorreta. Ceftriaxona associada a claritromicina é esquema parenteral típico de paciente hospitalizado. Este homem está hemodinamicamente estável, saturando 97% em ar ambiente e sem sinais de insuficiência respiratória ou sepse que indiquem internação pela descrição fornecida.
D) Incorreta. Piperacilina com tazobactam tem espectro desnecessariamente amplo para pneumonia comunitária não grave em adulto saudável e é reservada a situações em que haja indicação de cobertura antipseudomonas ou infecção hospitalar específica.