Menino, 5 anos de idade, faz acompanhamento por asma em uma UBS há 6 meses. Na última consulta, há 3 meses, foi prescrito beclometasona, 100 mcg/dia, spray oral para uso contínuo e salbutamol, 400 mcg/dose, spray oral, para os sintomas e agudizações. Neste retorno, a mãe refere que, nos últimos 30 dias, o filho apresentou um episódio de despertar noturno por tosse e um episódio semanal de chiado e tosse ao jogar bola. Durante a consulta, constatou-se boa adesão ao tratamento, uso adequado dos dispositivos inalatórios e ausência de outras morbidades no período interconsulta.
Pegadinha central: criança de 5 anos ainda segue o algoritmo de “5 anos ou menos” da GINA.
Sem controle após 2 a 3 meses de baixa dose, primeiro confirme diagnóstico, técnica e adesão; depois, a opção preferencial é dobrar o CI.
LABA e esquemas MART têm papel muito mais estabelecido a partir da faixa escolar do que no pré-escolar.
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Contexto
A criança tem 5 anos e, portanto, entra no grupo de crianças de 5 anos ou menos da GINA 2026. Após três meses de corticoide inalatório diário em baixa dose, mantém sintomas de esforço semanais e um despertar noturno, apesar de adesão, técnica e ausência de comorbidades relevantes. Antes de subir o tratamento, a GINA exige justamente revisar diagnóstico, técnica, adesão e fatores de risco, pontos que o enunciado já informa como adequados.
Na etapa 3 para crianças de até 5 anos, a opção preferencial da GINA 2026 é dobrar a dose diária baixa do corticoide inalatório e manter broncodilatador de alívio conforme a estratégia adotada. Assim, partindo de beclometasona 100 mcg/dia, a escalada proposta pela questão é para 200 mcg/dia, seguida de reavaliação da resposta em cerca de 2 a 3 meses.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Elevar diretamente a beclometasona para 400 mcg/dia e ainda associar antileucotrieno é uma escalada excessiva para o passo descrito. Montelucaste pode ser considerado em situações selecionadas, mas não é a primeira escolha em vez de simplesmente dobrar a baixa dose de corticoide.
B) Correta (gabarito). Dobrar de 100 para 200 mcg/dia segue a lógica atual da etapa 3 para criança de até 5 anos cujo controle permanece inadequado após uso correto de baixa dose de corticoide inalatório.
C) Incorreta. Budesonida-formoterol em esquema fixo de 12 em 12 horas não é a primeira escalada preferencial para essa faixa etária na situação descrita. Em crianças pequenas, a evidência e as opções com LABA são mais restritas do que em escolares e adolescentes.
D) Incorreta. Introduz salmeterol e uma carga de fluticasona desproporcional antes de realizar a escalada preferencial com o próprio corticoide inalatório. A questão já excluiu falhas de adesão e técnica, portanto o próximo passo é aumento gradual do CI.