Mulher, 25 anos de idade, é atendida no PS com PA = 180/100 mmHg após ter utilizado cocaína. Nega comorbidades e não apresenta disfunções orgânicas.
Pegadinha central: hipertensão por cocaína é hiperadrenérgica; primeiro trate a descarga simpática com benzodiazepínico.
Sem lesão de órgão alvo, não há indicação automática de vasodilatador intravenoso potente.
Evite propranolol isolado na intoxicação aguda; se houver necessidade de controle cardiovascular adicional, a escolha depende do quadro e deve considerar agentes com ação alfa ou vasodilatadores.
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Contexto
A cocaína bloqueia a recaptação de catecolaminas, produzindo hiperatividade simpática com hipertensão, taquicardia, vasoconstrição, agitação e risco de isquemia. A paciente tem pressão de 180/100 mmHg, mas não apresenta lesão aguda de órgão alvo, portanto o quadro não é uma emergência hipertensiva. O tratamento deve começar pela causa fisiológica da elevação pressórica, que é a descarga adrenérgica.
A diretriz ASAM e AAAP de 2024 para intoxicação por estimulantes recomenda agentes GABAérgicos, especialmente benzodiazepínicos como primeira linha para o estado hiperadrenérgico. Diazepam reduz agitação e descarga simpática central, o que frequentemente diminui pressão e frequência cardíaca. Se houver emergência hipertensiva verdadeira, podem ser necessários agentes intravenosos de ação curta, como nitroprussiato, fentolamina ou bloqueadores de canal de cálcio diidropiridínicos, conforme o quadro.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Captopril reduz pressão arterial, mas não trata a descarga simpática aguda que sustenta a hipertensão por cocaína e não é a primeira escolha neste cenário.
B) Incorreta. Nitroprussiato pode ser utilizado em emergência hipertensiva associada a estimulantes, quando há necessidade de redução intravenosa titulável da pressão. A paciente não apresenta lesão aguda de órgão alvo e deve receber primeiro sedação com benzodiazepínico.
C) Incorreta. Propranolol é betabloqueador não seletivo e não é a escolha inicial na intoxicação aguda por cocaína. O bloqueio beta isolado é tradicionalmente evitado pelo risco de deixar vasoconstrição alfa adrenérgica sem oposição. Quando um betabloqueador é realmente necessário, agentes com atividade alfa concomitante podem ser considerados em situações selecionadas.
D) Correta (gabarito). Diazepam reduz a hiperestimulação central e simpática provocada pela cocaína e é a melhor opção inicial entre as alternativas para hipertensão sem lesão de órgão alvo.