Homem, 35 anos de idade, é admitido no PS com tosse e hemoptise de, aproximadamente, 50 mL ao dia, há 3 dias. Nega febre ou perda de peso. Refere infecções pulmonares de repetição, à esquerda, há alguns anos. Broncoscopia: sangramento no lobo superior esquerdo.
Pegadinha central: pneumonia que volta repetidamente no mesmo território sugere doença estrutural ou obstrução local; associada a hemoptise crônica, bronquiectasia sobe muito na lista.
Bronquiectasia sangra principalmente pela circulação brônquica sistêmica hipertrofiada.
TC de alta resolução confirma a alteração estrutural; broncoscopia ajuda especialmente quando é preciso localizar sangramento ou excluir obstrução endobrônquica.
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Contexto
O padrão clínico mais sugestivo é de bronquiectasias. A doença corresponde à dilatação brônquica permanente decorrente de um ciclo de infecção, inflamação, lesão da parede brônquica e falha da depuração mucociliar. Esse ciclo favorece novas infecções, retenção de secreções e progressão estrutural.
O dado que discrimina o diagnóstico nesta questão é a história de infecções pulmonares recorrentes na mesma topografia ao longo de anos, agora associadas a hemoptise localizada ao lobo superior esquerdo pela broncoscopia. Na bronquiectasia, a hemoptise costuma se originar da circulação brônquica sistêmica, cujos vasos ficam hipertrofiados, tortuosos e friáveis em resposta à inflamação crônica. A tomografia de tórax de alta resolução é o principal exame para demonstrar a dilatação brônquica, com achados como relação brônquio-artéria aumentada, ausência de afilamento brônquico e visualização de brônquios próximos à pleura.
A broncoscopia tem utilidade especial para localizar sangramento, retirar coágulos, investigar obstrução endobrônquica e coletar material, mas não substitui a tomografia na caracterização estrutural das bronquiectasias. Hemoptise em torno de 50 mL por dia não deve ser classificada apenas pelo volume: gravidade também depende de repercussão respiratória e hemodinâmica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A combinação de pneumonias repetidas no mesmo território com hemoptise é típica de bronquiectasias. O sangramento decorre frequentemente da hipertrofia da circulação brônquica em uma região cronicamente inflamada.
B) Incorreta. DPOC costuma ocorrer em contexto de tabagismo ou exposição relevante, com limitação persistente do fluxo aéreo e sintomas respiratórios crônicos. Não explica bem infecções recorrentes focalizadas no mesmo lobo em um homem de 35 anos.
C) Incorreta. Neoplasia pulmonar pode causar hemoptise e infecção pós-obstrutiva recorrente no mesmo local, mas a idade jovem, a evolução de anos e a ausência de lesão endobrônquica descrita na broncoscopia favorecem bronquiectasias. Se houvesse massa, perda ponderal ou obstrução focal, neoplasia ganharia prioridade.
D) Incorreta. Corpo estranho crônico pode provocar infecções de repetição distalmente à obstrução, mas a broncoscopia seria justamente um método capaz de identificá-lo. Como o exame descreve sangramento lobar sem corpo estranho, essa hipótese perde força.