Em um estudo sobre amamentação e inteligência, de acordo com a escolha da mãe, 165 crianças que eram muito pequenas ao nascer receberam leite materno, enquanto 145 receberam fórmula infantil. Na idade de 8 anos, o quociente de inteligência (QI) dessas crianças foi medido. O QI médio do grupo fórmula infantil foi de 92,8, enquanto o do grupo leite materno foi de 103,0. Por meio de um teste de comparação de médias, verificou-se diferença significante entre essas duas médias (p < 0,001).
Pegadinha central: p = P(dados tão ou mais extremos | hipótese nula), e não P(hipótese nula | dados).
Significância estatística não transforma estudo observacional em ensaio causal.
Quanto mais forte o risco de confundimento, mais cuidado com frases como “causa”, “reduz” ou “aumenta” o desfecho.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O valor de p é uma probabilidade calculada condicionada à hipótese nula. Se a hipótese nula afirma que não existe diferença verdadeira entre os grupos, p < 0,001 significa que, assumindo essa hipótese como verdadeira e respeitadas as premissas do teste, a probabilidade de obter uma diferença de médias com magnitude igual ou mais extrema que a observada é inferior a 0,001.
Isso não significa que a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira seja menor que 0,001, nem que a probabilidade de existir causalidade seja maior que 99,9%. Há ainda um segundo ponto decisivo: a alimentação foi escolhida pela mãe, e não aleatorizada. Logo, diferenças maternas, familiares e socioeconômicas podem confundir a associação entre tipo de leite e QI. O estudo mostra forte evidência estatística de associação, mas o desenho descrito não sustenta sozinho uma afirmação causal.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a interpretação correta do p: sob a hipótese de ausência de relação ou diferença verdadeira, a chance de observar resultado de magnitude igual ou mais extrema é menor que 0,001.
B) Incorreta. A escolha materna da alimentação cria possibilidade de confundimento. A diferença observada não demonstra que a fórmula tenha causado redução do QI.
C) Incorreta. Os dados fornecem evidência estatística contra a hipótese de ausência de associação. O que não se pode afirmar é causalidade.
D) Incorreta. O p não é a probabilidade de que o tipo de leite afete o QI. Ele é calculado supondo a hipótese nula verdadeira, e não fornece diretamente a probabilidade de uma hipótese ou de uma relação causal.