Casal jovem, não consanguíneo, tem um filho com acondroplasia, sem outros casos na família. No pré-natal da gestação seguinte, a ultrassonografia identifica feto com encurtamento de ossos longos e macrocrania.
Pegadinha central: doença dominante pode recorrer entre irmãos de pais normais por mosaicismo gonadal.
Acondroplasia = FGFR3 com ganho de função, herança autossômica dominante e alta proporção de casos de novo.
Pai ou mãe afetado heterozigoto com parceiro não afetado: risco mendeliano de 50% para cada gestação.
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Contexto
A acondroplasia decorre de variante patogênica ativadora em FGFR3 e apresenta herança autossômica dominante. Aproximadamente 80% dos casos surgem de variante nova em pais de estatura habitual, por isso uma família sem outros afetados não contradiz o padrão dominante.
Quando dois pais clinicamente não afetados têm mais de um filho ou gestação acometida pela mesma doença dominante, uma explicação importante é mosaicismo gonadal em um dos genitores. Nesse cenário, a variante está presente em uma fração dos óvulos ou espermatozoides, mas pode não ser detectada no sangue periférico e não precisa produzir fenótipo no adulto.
A recorrência por mosaicismo gonadal é diferente do risco mendeliano de 50% observado quando um dos pais é heterozigoto e clinicamente afetado. Em pais fenotipicamente normais após um primeiro caso de novo, o risco absoluto de repetição é baixo, mas é maior do que o da população geral justamente por essa possibilidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A acondroplasia não é ligada ao X. O sexo masculino dos filhos, mesmo que ambos fossem meninos, não define padrão ligado ao X sem a arquitetura familiar correspondente.
B) Correta (gabarito). A doença é autossômica dominante e a repetição em irmãos de pais não afetados é explicada por mosaicismo gonadal de um dos genitores.
C) Incorreta. Acondroplasia não é autossômica recessiva e não implica risco fixo de 25% em cada gestação de pais portadores assintomáticos. Esse raciocínio pertence a doenças recessivas clássicas.
D) Incorreta. Salto de gerações não descreve adequadamente uma condição autossômica dominante altamente penetrante como a acondroplasia. A ausência de fenótipo nos pais e a recorrência entre irmãos apontam para mosaicismo gonadal.