Mulher, 75 anos de idade, apresenta dor, limitação aos movimentos e rigidez matinal em ombros e quadris há um mês, com pouca melhora com dipirona e diclofenaco. Refere febre baixa não aferida e inapetência, sem perda de peso. Extensa investigação evidenciou anemia normocítica e normocrômica (hemoglobina: 10,2 g/dL); VHS = 102 mm/1ahora e PCR = 78 mg/L. O PET-CT com 18F-FDG mostrou captação intensa em aorta torácica e abdominal, artérias axilares e ombros e quadris.
Pegadinha central: arterite de células gigantes não precisa apresentar sintomas cranianos; a forma de grandes vasos pode aparecer como aortite e arterite axilar no PET.
Idoso com dor e rigidez bilateral de ombros e quadris mais VHS e PCR elevados sugere polimialgia reumática.
Polimialgia reumática e arterite de células gigantes têm forte associação clínica; diante de uma, procure manifestações da outra.
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Contexto
O quadro reúne duas manifestações intimamente relacionadas: polimialgia reumática e arterite de células gigantes com acometimento de grandes vasos. Para polimialgia reumática, o padrão típico é idade acima de 50 anos, dor e rigidez bilateral das cinturas escapular e pélvica, rigidez matinal prolongada e elevação importante de VHS e PCR. Os critérios classificatórios EULAR/ACR de 2012 valorizam idade de 50 anos ou mais, dor bilateral nos ombros e elevação de PCR ou VHS, acrescentando achados como rigidez matinal superior a 45 minutos e dor ou limitação do quadril.
O PET-CT acrescenta o elemento decisivo: captação aumentada de 18F-FDG na aorta e artérias axilares indica inflamação de grandes vasos. A diretriz ACR/Vasculitis Foundation de 2021 reconhece a arterite de células gigantes como vasculite de médios e grandes vasos em adultos mais velhos e destaca que o fenótipo pode ser predominantemente extracraniano. Portanto, ausência de cefaleia, claudicação mandibular ou alteração visual não exclui arterite de células gigantes quando há aortite e arterite axilar associadas à síndrome inflamatória.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Dor e rigidez inflamatórias de ombros e quadris em mulher de 75 anos, com VHS e PCR muito elevados, caracterizam polimialgia reumática. A hipercaptação difusa da aorta e das artérias axilares demonstra um padrão de vasculite de grandes vasos compatível com arterite de células gigantes.
B) Incorreta. Aterosclerose pode produzir captação vascular focal e heterogênea, mas não explica adequadamente a síndrome sistêmica inflamatória com rigidez de cinturas, anemia de doença crônica e provas inflamatórias tão elevadas. Osteoartrite causa dor mecânica e rigidez breve, não esse padrão inflamatório.
C) Incorreta. O PET sugere aortite, mas o quadro musculoesquelético não é osteoartrite. A rigidez matinal de ombros e quadris, associada à inflamação sistêmica, é típica de polimialgia reumática. Além disso, o acometimento axilar torna inadequado chamar o processo de aortite isolada.
D) Incorreta. Arterite de Takayasu também compromete grandes vasos, porém ocorre predominantemente em mulheres jovens e seus critérios classificatórios usam idade de início até 60 anos. Artropatia microcristalina costuma produzir episódios agudos de artrite, geralmente mono ou oligoarticular, e não síndrome simétrica de cinturas por um mês.