Mulher, 64 anos de idade, refere 2 episódios de sangramento vaginal no último mês, em pequena intensidade, com duração de 2 dias. Ultrassonografia endovaginal revela eco endometrial de 15 mm.
Pegadinha central: no sangramento pós-menopausa, espessura endometrial elevada pede tecido, não apenas mais imagem.
O valor clássico de 4 mm é o ponto de corte ultrassonográfico de baixo risco em muitas estratégias; 15 mm é claramente espessado.
ACOG 2026 reforçou papel da amostragem endometrial já na avaliação inicial de muitas pacientes com sangramento pós-menopausa.
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Contexto
Sangramento após a menopausa é câncer de endométrio até que avaliação adequada demonstre outra causa. A espessura endometrial de 15 mm é marcadamente anormal em uma mulher com sangramento e exige obtenção de tecido. ACOG atualizou sua orientação em 2026 e passou a favorecer, na maioria das pacientes com sangramento pós-menopausa, avaliação inicial combinando ultrassonografia transvaginal e amostragem endometrial. Mesmo nas recomendações anteriores, endométrio acima de 4 mm no contexto de sangramento já justificava investigação histológica.
A cureta de Nowak representa uma técnica de biópsia endometrial por amostragem cega. Atualmente, dispositivos ambulatoriais como Pipelle são muito utilizados, e histeroscopia com biópsia dirigida ganha importância quando há suspeita de lesão focal, amostra insuficiente ou persistência do sangramento. O princípio que fecha a questão é: endométrio espessado + sangramento pós-menopausa exige histologia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ressonância magnética não é o exame inicial para diagnosticar causa de sangramento pós-menopausa. Ela é mais útil no estadiamento locorregional de neoplasia já diagnosticada ou em situações específicas de imagem.
B) Incorreta. Teste da progesterona não substitui avaliação histológica em mulher pós-menopausa com sangramento. Adiar biópsia nesse contexto poderia atrasar diagnóstico de hiperplasia com atipia ou câncer.
C) Incorreta. Histeroscopia é excelente para visualizar a cavidade e direcionar biópsias, especialmente em lesão focal ou persistência do sangramento. Entretanto, a alternativa fala apenas em histeroscopia diagnóstica e não garante obtenção de tecido. Entre as opções, a biópsia é a resposta que atende diretamente à necessidade diagnóstica.
D) Correta (gabarito). A biópsia com cureta de Nowak fornece tecido para histopatologia, permitindo excluir ou confirmar hiperplasia endometrial e carcinoma. Na prática atual, a técnica de amostragem pode variar, mas o princípio permanece obrigatório.