Homem, 65 anos de idade, apresenta cansaço, falta de ar e edema de membros inferiores há 2 meses. Exame físico: sopro sistólico em crescendo-decrescendo na borda esternal superior esquerda, com o paciente sentado e inclinado para frente.
Pegadinha central: em valvopatia, o tempo e a forma do sopro costumam valer mais que uma descrição isolada da posição do paciente.
Estenose aórtica: sopro sistólico ejetivo crescendo-decrescendo, base, irradiação para carótidas.
Insuficiência mitral: sopro holossistólico apical com irradiação axilar.
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Contexto
O elemento que discrimina a valvopatia é a morfologia do sopro: sistólico ejetivo em crescendo-decrescendo. Esse é o padrão clássico da estenose aórtica, produzido pela ejeção de sangue através de uma valva aórtica estreitada. A ausculta típica é mais intensa na base, sobretudo no segundo espaço intercostal direito, com irradiação para carótidas. A localização descrita na borda esternal superior esquerda não é a formulação mais clássica, mas entre as alternativas o padrão temporal e morfológico favorece estenose aórtica. As Diretrizes ESC/EACTS de Valvopatias de 2025 reforçam que o diagnóstico e a graduação dependem de ecocardiografia, após suspeita clínica pelo exame físico.
Dispneia e redução da tolerância ao esforço podem indicar repercussão hemodinâmica de estenose importante. Em prova, a distinção auscultatória básica é entre sopro ejetivo da estenose aórtica, sopro holossistólico da insuficiência mitral e sopro diastólico aspirativo da insuficiência aórtica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Estenose aórtica produz sopro sistólico ejetivo em crescendo-decrescendo na base cardíaca, frequentemente com irradiação cervical. É a única opção que explica de forma direta o padrão descrito.
B) Incorreta. Dupla lesão aórtica pressupõe estenose e insuficiência aórticas relevantes. Além do componente sistólico ejetivo, seria esperado um componente diastólico de regurgitação aórtica, em geral decrescente e mais audível na borda esternal esquerda com o paciente inclinado para frente.
C) Incorreta. Doença mitral combinada costuma gerar achados predominantes no ápice, como ruflar diastólico de estenose mitral e sopro sistólico de regurgitação, não um sopro ejetivo típico de via de saída aórtica.
D) Incorreta. Insuficiência mitral grave produz classicamente sopro holossistólico no ápice, com irradiação para axila. Pode causar dispneia e insuficiência cardíaca, mas a morfologia do sopro não corresponde ao caso.