Mulher, 35 anos de idade, comparece em consulta com exame de TSH solicitado por outro médico. A paciente não apresenta queixas. Exame físico: IMC = 29,5 kg/m2, tiroide de difícil palpação; sem outras alterações. TSH = 6,5 mUI/L (VR 0,45-4,5).
Pegadinha central: TSH discretamente alto uma única vez não autoriza reposição imediata.
TSH elevado pede avaliação de T4 livre; T3 não é exame de rotina para hipotireoidismo.
Ultrassom de tireoide é exame estrutural e não deve ser pedido de rotina por alteração isolada do TSH.
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Contexto
TSH de 6,5 mUI/L corresponde a elevação leve, abaixo de 10 mUI/L. Um resultado isolado não estabelece hipotireoidismo persistente, porque o TSH pode oscilar por doença intercorrente, variação biológica, medicamentos e interferências laboratoriais. A estratégia da questão é confirmar a persistência da alteração antes de tratar. O NICE NG145, atualizado em 2023, considera tratamento de hipotireoidismo subclínico principalmente após confirmação em medidas repetidas e recomenda avaliar T4 livre quando o TSH está elevado.
Há uma nuance importante: na prática atual, a investigação de um TSH elevado costuma incluir T4 livre, e anticorpo anti-TPO pode ser útil para estimar etiologia autoimune e risco de progressão. T3 não é exame de rotina para diagnosticar hipotireoidismo. Como nenhuma alternativa oferece simplesmente repetição de TSH com T4 livre no intervalo adequado, o gabarito A representa a mensagem central de não iniciar reposição plena após uma única elevação discreta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Repetir a função tireoidiana em cerca de 2 a 3 meses permite confirmar se a elevação é persistente. Na prática, é desejável associar T4 livre nessa reavaliação, mas a alternativa é a que melhor preserva o princípio de confirmação antes de rotular e tratar.
B) Incorreta. T4 livre e anti-TPO são exames úteis, mas a inclusão de T3 torna o conjunto inadequado como melhor resposta: T3 tem pouca utilidade na avaliação de hipotireoidismo. Além disso, a questão enfatiza um único TSH discretamente elevado em paciente assintomática, situação em que a persistência deve ser documentada.
C) Incorreta. Levotiroxina em dose de reposição plena de 1,6 mcg/kg/dia não deve ser iniciada apenas por TSH de 6,5 mUI/L isolado e sem T4 livre demonstrando hipotireoidismo franco. Em hipotireoidismo subclínico, indicação terapêutica depende de confirmação, magnitude do TSH, sintomas, idade, gestação e outros fatores.
D) Incorreta. Ultrassonografia avalia estrutura, não função tireoidiana. Não é indicada apenas por alteração bioquímica quando não há nódulo, bócio ou outro achado estrutural que justifique imagem.