Homem, 28 anos de idade, previamente hígido, foi submetido a drenagem pleural no 5o espaço intercostal por pneumotórax espontâneo. No momento imediato após a drenagem pleural já apresentava escape aéreo pelo dreno. No 8o dia de internação hospitalar ainda mantinha fístula aérea.
Pegadinha central: fuga de ar borbulha; variação de pressão intratorácica faz a coluna oscilar.
Escape aéreo persistente por vários dias após pneumotórax espontâneo deve motivar avaliação para tratamento definitivo, especialmente em paciente jovem e operável.
Na prova, se o dreno funciona e o ar continua escapando, pense em tratar a fonte, não apenas em trocar por um tubo maior.
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Contexto
Em um sistema de drenagem pleural com selo d'água, borbulhamento representa passagem de ar pelo sistema. Se o circuito externo não apresenta desconexão ou vazamento, o borbulhamento durante a respiração indica fuga de ar proveniente do espaço pleural, como ocorre em fístula alveolopleural ou broncopleural. Já a oscilação da coluna líquida acompanha as variações de pressão intratorácica e mostra comunicação do sistema com a cavidade pleural, mas não é, por si só, sinal de fístula aérea.
O paciente tem pneumotórax espontâneo e escape aéreo desde a drenagem, persistindo até o oitavo dia. Esse tempo caracteriza um escape aéreo persistente e exige avaliação para tratamento definitivo, especialmente em um jovem previamente hígido e potencialmente bom candidato cirúrgico. A British Thoracic Society 2023 reconhece a cirurgia como opção para tratar pneumotórax com fuga aérea persistente e recomenda considerar terapias não cirúrgicas, como sangue autólogo ou intervenções endobrônquicas, principalmente quando o paciente não é candidato a cirurgia. A diretriz conjunta ERS/EACTS/ESTS 2024 também trata a fuga aérea persistente como situação específica que exige estratégia individualizada e avaliação de aptidão cirúrgica.
Na prática, a operação costuma ser realizada por videotoracoscopia, com identificação e tratamento de blebs ou bolhas responsáveis pelo vazamento e algum método de prevenção de recorrência, como pleurodese mecânica ou pleurectomia conforme técnica e contexto. Talco pode ser usado em pleurodese química, mas em paciente jovem, operável e com fuga aérea prolongada, não é a melhor resposta isolada entre as alternativas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Oscilação ampla da coluna do selo d'água reflete variação da pressão pleural, não fuga aérea. Além disso, simplesmente aumentar o calibre do dreno não trata a fonte do escape persistente quando o dreno atual está funcionante.
B) Correta (gabarito). O achado esperado no frasco é borbulhamento, porque há passagem contínua de ar para o sistema de drenagem. A persistência por oito dias em paciente jovem e operável é indicação de avaliação cirúrgica para controlar a fonte da fuga e reduzir recorrência.
C) Incorreta. O borbulhamento está corretamente identificado, mas pleurodese química com talco, isoladamente, não é a melhor primeira estratégia para um jovem com fuga aérea persistente e condição para cirurgia. Pleurodese química ganha importância quando a cirurgia não é possível ou em cenários selecionados.
D) Incorreta. A cirurgia pode estar indicada, mas a alternativa erra o sinal do frasco. Oscilação intermitente da coluna não é o marcador específico de fuga aérea; o sinal característico é o borbulhamento.