Mulher, 55 anos de idade, é atendida na sala de emergência com quadro de dispneia e cornagem. Após instalação de cateter de oxigênio a 5 litros por minuto a paciente apresenta melhora, porém permanece com o quadro de respiração ruidosa. Durante investigação verifica-se que a paciente esteve internada em UTI há um mês, necessitou de ventilação mecânica e foi submetida a intubação orotraqueal.
Pegadinha central: estridor que aparece dias ou semanas depois de uma intubação não deve ser tratado automaticamente como broncoespasmo. Pense em estenose traqueal.
Broncoscopia define localização, extensão e morfologia da estenose e orienta o tratamento.
Procedimentos de resgate da via aérea, como cricotireoidostomia, ficam para deterioração aguda ou impossibilidade de ventilação e intubação, não para investigação eletiva de uma obstrução estável.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Dispneia associada a cornagem semanas após ventilação mecânica e intubação orotraqueal deve levantar fortemente a hipótese de estenose traqueal pós-intubação. O mecanismo habitual é lesão isquêmica da mucosa pela pressão do balonete, seguida de ulceração, formação de tecido de granulação, fibrose circunferencial e redução progressiva do lúmen. Por isso, o quadro costuma surgir depois da extubação, frequentemente após um intervalo de dias a semanas, e pode ser confundido com asma ou outra doença obstrutiva.
O dado que discrimina esta questão é a combinação de estridor ou cornagem tardia após intubação com paciente ainda ventilando espontaneamente e sem descrição de falência iminente da via aérea. Nessa situação, a broncoscopia é o exame que confirma a estenose e descreve os elementos que determinam a estratégia terapêutica: localização, extensão longitudinal, grau de estreitamento, morfologia, relação com cordas vocais e carina e presença de tecido de granulação ou malácia. A tomografia de pescoço e tórax pode complementar a avaliação, mas a endoscopia da via aérea continua sendo central para o planejamento.
O tratamento definitivo depende da anatomia da lesão. Estenoses simples e curtas podem ser manejadas por técnicas endoscópicas, como dilatação e outras intervenções broncoscópicas selecionadas. Lesões complexas, longas ou com comprometimento cartilaginoso podem exigir ressecção traqueal com anastomose. A prioridade da questão, contudo, é primeiro definir a lesão por broncoscopia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Nova intubação orotraqueal não é a melhor conduta diagnóstica neste cenário estável. Uma estenose fixa pode dificultar a passagem do tubo, traumatizar a área cicatricial e piorar edema ou obstrução. Intubação pode ser necessária se houver deterioração respiratória e necessidade urgente de assegurar a via aérea, mas isso não é o que o enunciado descreve.
B) Correta (gabarito). A broncoscopia permite confirmar a estenose pós-intubação, localizar o segmento comprometido, estimar seu comprimento e gravidade e avaliar a morfologia da lesão, informações indispensáveis para decidir entre tratamento endoscópico e cirurgia. Em paciente com cornagem tardia após intubação, esse é o passo que melhor esclarece a causa da obstrução.
C) Incorreta. Traqueostomia não deve ser realizada de rotina antes de conhecer a topografia da estenose. Dependendo do nível da lesão, o procedimento pode ser inútil, tecnicamente inadequado ou até criar uma nova área de lesão traqueal. Ela pode ser necessária em situações selecionadas para controle da via aérea, mas não substitui a caracterização endoscópica.
D) Incorreta. Cricotireoidostomia é procedimento de emergência para acesso rápido à via aérea quando não se consegue oxigenar ou intubar adequadamente. A paciente apresentou melhora com oxigênio e não há descrição de colapso ventilatório, hipoxemia refratária ou cenário de via aérea impossível.