Menino, 9 meses de idade, apresenta febre (39oC) e diarreia há 1 dia. A mãe refere 6 evacuações nas últimas 24 horas, com sangue, muco e pus nas fezes e nega problemas anteriores de saúde. Exame físico: paciente está choroso, toma água oferecida pela mãe com avidez e apresenta choro sem lágrimas.
Pegadinha central: sangue nas fezes muda a conduta, mas não transforma automaticamente a desidratação em indicação de acesso venoso.
Criança que bebe com avidez, sem choque e sem incapacidade de ingerir líquidos deve ser reidratada prioritariamente por via oral.
Em diarreia aguda, separe duas perguntas: qual é o grau de desidratação e há disenteria. Cada resposta define uma parte do tratamento.
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Contexto
O quadro combina diarreia aguda com disenteria e sinais de desidratação sem choque. A criança está chorosa, bebe com avidez e não produz lágrimas, mas continua capaz de ingerir líquidos. Isso direciona para reidratação oral supervisionada na unidade de saúde, correspondente ao Plano B do manejo da doença diarreica aguda. Hidratação venosa fica reservada para desidratação grave, choque ou impossibilidade de hidratação oral.
A presença de sangue nas fezes, acompanhada de muco, pus e febre, caracteriza síndrome disentérica e muda a conduta: além da solução de reidratação oral, há indicação de antimicrobiano por via oral, conforme o agente provável, a epidemiologia local e os protocolos vigentes. A diretriz da OMS de 2024 para pneumonia e diarreia em crianças recomenda antibiótico quando há diarreia com sangue. Probiótico não substitui o tratamento antimicrobiano da disenteria.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A via parenteral para hidratação não é necessária porque a criança bebe avidamente e não apresenta sinais de choque ou desidratação grave. A presença de disenteria justifica antibiótico, mas não obriga que ele seja administrado por via parenteral.
B) Incorreta. A reidratação oral está adequada, porém probiótico não substitui antimicrobiano diante de diarreia com sangue. A pegadinha é reconhecer que o componente disentérico exige abordagem específica além da reposição hidroeletrolítica.
C) Incorreta. O antibiótico oral é compatível com o quadro, mas a hidratação venosa é excessiva para uma criança capaz de beber e sem critérios de desidratação grave.
D) Correta (gabarito). Reúne as duas decisões exigidas pelo caso: SRO supervisionado para a desidratação sem gravidade e antibiótico oral para a síndrome disentérica.