Mulher, 30 anos de idade, mora na rua, no centro da cidade de São Paulo. Durante a pandemia, perdeu o trabalho como manicure e passou a viver como trabalhadora do sexo. Atualmente, tem poucos clientes e, para comer todo dia, depende de doações. Esta situação de insegurança alimentar, frequente para outras mulheres no território, é vivenciada por ela com ansiedade, influenciando em seu consumo de álcool e outras drogas. Ela tem um companheiro com quem tem uma relação afetiva estável. Nesta semana, procurou a UBS devido a atraso menstrual e foi feito o diagnóstico de gestação.
Pegadinha central: PTS não é prescrição ampliada; é construção compartilhada de cuidado.
Caso complexo na APS pede clínica ampliada, equipe multiprofissional e articulação intersetorial.
Quando a vulnerabilidade se repete no território, o cuidado individual pode coexistir com ações coletivas de saúde.
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Contexto
Projeto Terapêutico Singular é um plano de cuidado construído para uma pessoa ou coletivo em situação complexa, elaborado de forma interdisciplinar e compartilhada, com definição de necessidades, objetivos, responsabilidades e reavaliação. A Política Nacional de Humanização e os materiais de Clínica Ampliada do Ministério da Saúde trabalham o PTS como instrumento de cuidado centrado no sujeito, corresponsabilização, autonomia e articulação em rede.
Neste caso, gravidez é apenas uma das necessidades. Moradia na rua, insegurança alimentar, trabalho sexual, uso de álcool e outras drogas, sofrimento ansioso, vínculo afetivo e vulnerabilidade econômica exigem cuidado clínico, obstétrico, psicossocial e social, com articulação entre UBS, Consultório na Rua quando disponível, assistência social, redução de danos e outros serviços do território. Como problemas semelhantes atingem outras mulheres da região, a equipe também pode desenvolver ações coletivas de promoção, prevenção e proteção à saúde.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Combina o núcleo do PTS, que é construir um projeto de cuidado singular para essa mulher, com a responsabilidade territorial da atenção primária de reconhecer problemas coletivos e organizar ações para grupos que compartilham vulnerabilidades.
B) Incorreta. A equipe pode articular acesso a políticas sociais e produzir informações úteis para a gestão, mas não tem competência para definir sozinha políticas públicas socioeconômicas gerais. O PTS opera no cuidado concreto do sujeito e na articulação da rede.
C) Incorreta. Reduzir o caso a orientações médicas de estilo de vida e “adesão” ignora determinantes sociais, autonomia, redução de danos e corresponsabilização. O cuidado precisa ser negociado, factível e coerente com as condições reais de vida.
D) Incorreta. O objetivo do PTS não é apenas prevenir ou tratar doenças diretamente causadas pela vulnerabilidade social. Ele busca cuidado integral, incluindo necessidades clínicas, psíquicas, sociais, reprodutivas, de proteção e de cidadania.