Paciente 30 anos, 3a gestação, 14 semanas. Na 1a gestação teve pré-eclâmpsia com 31 semanas, parto cesárea de emergência. Na 2a gestação entrou em trabalho de parto prematuro, evoluindo para parto normal com 32 semanas. Mesmo parceiro.
Pegadinha central: pré-eclâmpsia precoce prévia pede AAS; heparina não entra sem indicação trombótica ou síndrome antifosfolípide.
AAS deve começar após 12 semanas e, quando possível, antes de 16 semanas.
Atualização: ACOG 2025 restringe progesterona vaginal para recorrência de prematuridade quando não há colo curto, enquanto protocolos brasileiros ainda podem recomendar seu uso pelo antecedente.
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Contexto
Há dois antecedentes obstétricos independentes de alto risco. A pré-eclâmpsia grave com parto às 31 semanas indica alto risco de recorrência e justifica ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado entre 12 e 28 semanas, idealmente antes de 16 semanas, e mantido até próximo do parto conforme protocolo. ACOG e SMFM consideram história de pré-eclâmpsia fator de alto risco para profilaxia com AAS.
O parto espontâneo às 32 semanas na gestação seguinte identifica risco aumentado de nova prematuridade. O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde de 2022 recomenda progesterona vaginal a partir de 16 semanas para mulheres com parto prematuro espontâneo prévio, associada à avaliação seriada do comprimento cervical. Há divergência internacional recente: a atualização ACOG de 2025 orienta que, em gestação única com parto prematuro prévio, progesterona vaginal não deve ser oferecida na ausência de colo uterino encurtado; recomenda-se medir seriamente o colo entre 16 e 24 semanas e individualizar a prevenção. O gabarito B corresponde à referência brasileira e histórica utilizada pela prova.
O sulfato ferroso integra a prevenção e o tratamento da deficiência de ferro na gestação conforme protocolos nacionais. Ácido fólico tem maior impacto na prevenção de defeitos do tubo neural quando iniciado antes da concepção e mantido no primeiro trimestre, por isso não é o elemento que discrimina a resposta aos 14 semanas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A opção contempla progesterona e suplementação, mas deixa de fora o AAS, justamente a intervenção de alto rendimento para uma gestante com pré-eclâmpsia precoce prévia.
B) Correta (gabarito). AAS aborda o risco de recorrência de pré-eclâmpsia, progesterona corresponde à estratégia brasileira clássica para antecedente de parto prematuro espontâneo e sulfato ferroso integra o cuidado pré-natal. Pela orientação ACOG mais recente, a indicação de progesterona deve ser condicionada também ao comprimento cervical.
C) Incorreta. Heparina de baixo peso molecular não é indicada apenas por antecedentes de pré-eclâmpsia e prematuridade. Ela seria considerada diante de tromboembolismo, síndrome antifosfolípide ou outra indicação específica. Além disso, falta AAS.
D) Incorreta. Inclui AAS, mas adiciona heparina sem indicação apresentada e omite a intervenção relacionada ao antecedente de prematuridade espontânea segundo a referência cobrada pela prova.