Homem, 40 anos de idade, procura PS com quadro de hiperemia, dor e edema palpebrais à esquerda há 2 dias. Nega piora da acuidade visual e doenças pregressas. Ao exame oftalmológico: acuidade visual de 20/20 em ambos olhos, reflexos pupilares isofotorreagentes, limitação à adução do olho direito e disco óptico sem edema.
Pegadinha central: edema palpebral + oftalmoplegia não é celulite pré-septal simples.
Celulite orbitária: proptose, dor ou limitação dos movimentos oculares, diplopia e possível comprometimento visual.
Conduta inicial: imagem orbital adequada + antibiótico IV; abscesso ou piora pode exigir drenagem cirúrgica.
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Contexto
Hiperemia e edema palpebral podem representar celulite pré-septal ou celulite orbitária. O achado que muda a conduta é o comprometimento posterior ao septo orbital, sinalizado por dor à movimentação ocular, proptose, redução de motilidade, diplopia, alteração pupilar ou perda visual. Neste caso há limitação da motilidade ocular, portanto deve-se assumir envolvimento orbitário até prova em contrário. A acuidade visual 20/20 e a ausência de edema de papila não excluem celulite orbitária inicial.
Há uma provável inconsistência lateral no enunciado, que descreve inflamação palpebral à esquerda e limitação de adução do olho direito. Mesmo assim, a presença de oftalmoplegia em um quadro infeccioso orbitopalpebral é o dado discriminador. Recomendações oftalmológicas atuais indicam tomografia de órbitas e seios da face, preferencialmente com contraste quando se busca abscesso ou complicação, além de internação e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Antibiótico oral é conduta possível na celulite pré-septal leve, desde que a celulite orbitária tenha sido excluída. A limitação da motilidade ocular é sinal de extensão orbitária e impede manejo ambulatorial simples.
B) Correta (gabarito). Tomografia com contraste avalia órbita, seios paranasais, abscesso subperiosteal ou orbital e outras complicações. A suspeita de celulite orbitária exige antibiótico venoso e acompanhamento hospitalar.
C) Incorreta. Orbitopatia tireoidiana pode causar restrição da motilidade e proptose, mas não explica adequadamente início agudo em 2 dias com hiperemia, dor e edema palpebral. Descompressão orbitária é reservada para indicações específicas, como neuropatia óptica compressiva ou síndrome compartimental.
D) Incorreta. Doenças inflamatórias orbitárias podem responder a corticoide, mas pulsoterapia sem excluir infecção pode agravar uma celulite orbitária. O contexto agudo infeccioso exige imagem e antimicrobiano primeiro.