Menino, 9 meses de idade, previamente hígido, passou a tarde com uma cuidadora e, ao chegar em casa, apresentava-se sonolento e não aceitou o jantar. Cerca de uma hora depois, foi trazido pela mãe ao PS com episódio de convulsão. Segundo a mãe, o paciente não apresentava febre, alterações de estado geral ou recusa alimentar anteriormente ao quadro. Após cessação do episódio convulsivo, observa-se criança não responsiva, com escoriações na face e no dorso.
Pegadinha central: convulsão e rebaixamento em lactente com lesões inexplicadas exigem pensar em trauma abusivo, mesmo sem história espontânea de agressão.
AAP 2024: TC é exame inicial na apresentação neurológica aguda; inventário ósseo é indicado em menores de 2 anos com suspeita de abuso.
Fundoscopia deve ser feita por profissional experiente porque o padrão e a extensão das hemorragias retinianas têm valor diagnóstico.
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Contexto
Um lactente previamente bem que desenvolve sonolência súbita, convulsão, rebaixamento persistente do nível de consciência e apresenta escoriações em diferentes regiões deve ser avaliado para trauma craniano abusivo. A história precisa ser confrontada com o estágio de desenvolvimento da criança e com a compatibilidade entre o mecanismo relatado e as lesões encontradas.
O relatório técnico da American Academy of Pediatrics de 2024 recomenda tomografia de crânio como exame inicial de escolha quando há sintomas neurológicos agudos e suspeita de abuso. Crianças menores de 2 anos também devem realizar levantamento esquelético padronizado para pesquisar fraturas ocultas, com repetição em cerca de 2 a 3 semanas quando indicada. Avaliação oftalmológica especializada, idealmente precoce, pesquisa hemorragias retinianas e outras lesões oculares.
A expressão “radiografias de corpo inteiro” da alternativa deve ser entendida como o inventário ósseo ou levantamento esquelético protocolizado, e não como uma única radiografia panorâmica do corpo. Ressonância magnética cerebral pode complementar a tomografia para caracterizar lesões parenquimatosas e estimar cronologia, após estabilização.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hemograma e outros exames laboratoriais podem integrar a avaliação, mas punção lombar não é o primeiro passo em criança inconsciente com suspeita de trauma intracraniano. Antes, é necessário identificar hemorragia, edema ou efeito de massa.
B) Incorreta. Ultrassonografia abdominal, eletrólitos e lactato podem ser úteis conforme o contexto clínico, mas não pesquisam adequadamente as três grandes categorias de lesão ocultas do trauma abusivo: intracranianas, retinianas e esqueléticas.
C) Incorreta. Esses exames podem ajudar a investigar diagnósticos diferenciais e trauma abdominal, porém deixam de realizar neuroimagem e levantamento esquelético, fundamentais neste caso.
D) Correta (gabarito). Tomografia de crânio investiga lesão intracraniana aguda, fundoscopia especializada pesquisa hemorragias retinianas e o levantamento esquelético identifica fraturas ocultas de diferentes idades.