Princípios de cirurgia oncológica

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Questão 45
UNIFESP · 2023

Mulher, 72 anos de idade, encontra-se em cirurgia para câncer de endométrio e a avaliação intraoperatória do produto de histerectomia total e salpingooforectomia bilateral mostrou ser um carcinoma endometrial, do tipo endometróide grau 1, superficialmente invasor, estroma do colo livre.

Neste caso, qual (is) procedimento (s) cirúrgicos ainda falta (m) ser realizado (s):
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O achado intraoperatório descreve carcinoma endometrioide de baixo grau, superficialmente invasor e sem acometimento cervical, perfil historicamente associado a baixo risco de metástase linfonodal. Por isso, linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática não traz benefício terapêutico demonstrado nesse cenário e acrescenta morbidade, como linfedema e lesão neurovascular.

As diretrizes ESGO/ESTRO/ESP de 2025 incorporam classificação molecular e favorecem mapeamento de linfonodo sentinela como método de estadiamento nodal em câncer endometrial inicial quando essa avaliação é planejada. Isso representa evolução importante em relação às questões antigas baseadas apenas em grau e profundidade de invasão. Entretanto, o caso informa que histerectomia total e salpingooforectomia bilateral já foram realizadas e pergunta qual procedimento ainda precisa ser feito. Para um tumor de baixo risco sem evidência de doença extrauterina, não há indicação de completar a cirurgia com linfadenectomia sistemática apenas porque o linfonodo sentinela não foi mencionado.

O risco definitivo hoje depende também de invasão linfovascular e perfil molecular, como POLE, deficiência de reparo de mismatch, p53 e grupo sem perfil molecular específico. Ainda assim, nenhuma das alternativas acrescenta avaliação molecular; o ponto cirúrgico testado é evitar linfadenectomia desnecessária.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Linfadenectomia pélvica sistemática não é indicada como procedimento terapêutico de rotina em carcinoma endometrioide de baixo risco. Se estadiamento nodal for planejado atualmente, prefere-se mapeamento de linfonodo sentinela em vez de dissecção sistemática.

B) Correta (gabarito). Diante do perfil intraoperatório de baixo risco e após histerectomia total com salpingooforectomia bilateral, não é necessário acrescentar linfadenectomia sistemática ou omentectomia. A avaliação definitiva do risco pós-operatório deve incorporar anatomopatológico completo e, atualmente, classificação molecular.

C) Incorreta. Linfadenectomia pélvica e para-aórtica amplia morbidade e não é justificada pelo baixo risco descrito. Esse tipo de estadiamento mais extenso fica reservado a situações selecionadas de maior risco ou achados suspeitos.

D) Incorreta. Além de linfadenectomia extensa desnecessária, omentectomia não é procedimento rotineiro para carcinoma endometrioide grau 1 superficial. Avaliação omental ganha relevância em histologias agressivas selecionadas, não no perfil apresentado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: baixo risco não pede linfadenectomia sistemática só para “completar” a cirurgia.

  • Atualização 2025: quando estadiamento nodal é indicado no câncer endometrial inicial, o linfonodo sentinela substituiu grande parte das linfadenectomias sistemáticas.

  • Classificação moderna inclui histologia, invasão miometrial, invasão linfovascular e perfil molecular.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Princípios de cirurgia oncológica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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