Primigesta de 27 semanas é internada com o diagnóstico de rotura das membranas. Na internação recebeu ciclo de corticoide (betametasona) e foi pesquisada a presença de Estreptococo beta hemolítico: positivo. Exames laboratoriais: Hb 11,3; Ht 34%; leucograma 8700 sem desvio; PCR 4,3. Ultrassonografia: feto único em apresentação pélvica, placenta corporal anterior grau 0, ILA 5,6 cm (normal de 8 a 18 cm), peso estimado 950g (entre o percentil 10 e 50). No 3° dia de internação, paciente evolui com contrações uterinas ritmadas (3 em 10 minutos) e dolorosas.
Pegadinha central: em PPROM com trabalho de parto estabelecido, não tente “segurar” a gestação rotineiramente com tocolítico.
Parto iminente antes de 32 semanas pede sulfato de magnésio para neuroproteção.
EGB positivo pede profilaxia intraparto; antibiótico de latência e profilaxia para EGB são conceitos relacionados, mas não idênticos.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A gestante tem rotura prematura pré-termo de membranas com 27 semanas e agora desenvolveu contrações uterinas dolorosas e regulares, caracterizando forte suspeita de trabalho de parto prematuro. Como o parto parece iminente antes de 32 semanas, sulfato de magnésio está indicado para neuroproteção fetal. Como a cultura para estreptococo do grupo B é positiva, deve receber profilaxia intraparto com penicilina ou ampicilina conforme o protocolo.
O Practice Bulletin ACOG 217 sobre rotura de membranas foi reafirmado em 2026. Durante manejo expectante da rotura prematura pré-termo, antibióticos de latência são utilizados, mas uma vez estabelecido o trabalho de parto não se deve prolongar a gestação artificialmente apenas para ganhar tempo. O RCOG também recomenda que tocólise não seja usada rotineiramente na rotura prematura de membranas. O curso antenatal de corticoide já foi realizado.
A via de parto na apresentação pélvica extremamente prematura é tema em que a evidência é menos absoluta do que o gabarito sugere. Diretrizes atuais individualizam a decisão segundo idade gestacional, apresentação, peso, experiência da equipe e condições materno-fetais. O gabarito A corresponde à lógica tradicional de prova de que um feto pélvico de 27 semanas, em trabalho de parto após rotura das membranas, tem indicação de cesárea para reduzir trauma fetal. Entre as opções fornecidas, A é a única que combina neuroproteção, cobertura para EGB e não propõe tocólise inadequada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Ampicilina atende à profilaxia intraparto para EGB, sulfato de magnésio é indicado pela iminência de parto antes de 32 semanas e, segundo a referência cobrada pela prova, a apresentação pélvica em prematuridade extrema favorece cesárea.
B) Incorreta. Antibiótico e magnésio estão indicados, mas parto vaginal pélvico com 27 semanas não deve ser apresentado como via preferencial universal. A decisão atual é individualizada e, no raciocínio da questão, a cesárea é favorecida.
C) Incorreta. Nifedipina é tocolítico útil em trabalho de parto prematuro com membranas íntegras em situações selecionadas, mas não se recomenda tocólise rotineira para prolongar a gestação quando há rotura pré-termo de membranas e trabalho de parto estabelecido.
D) Incorreta. Terbutalina também não deve ser utilizada para tentar interromper trabalho de parto nessa situação e apresenta maior risco de efeitos cardiovasculares maternos.