Menino, 4 anos de idade, é acompanhado no ambulatório de nefrologia pediátrica desde os 2 anos de idade com diagnóstico de síndrome nefrótica corticorresistente. Foi admitido em unidade de emergência com quadro de descompensação clínica com anasarca e febre associada dor abdominal difusa de forte intensidade com início há 24 horas. Exame físico: anasarca, macicez móvel e descompressão brusca positiva difusamente no abdome.
Pegadinha central: síndrome nefrótica + ascite + febre + dor abdominal intensa = pense imediatamente em peritonite espontânea.
Agente clássico de prova: pneumococo.
Na vida real, gram-negativos também são relevantes; o esquema empírico deve cobrir a epidemiologia local enquanto culturas são processadas.
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Contexto
Febre, dor abdominal intensa, ascite e sinais de irritação peritoneal em criança com síndrome nefrótica sugerem peritonite bacteriana espontânea. A síndrome nefrótica aumenta a suscetibilidade a infecções por perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento, edema de alças, ascite com baixa capacidade opsônica e, muitas vezes, exposição a imunossupressores.
O agente classicamente mais associado à peritonite espontânea na síndrome nefrótica pediátrica é o Streptococcus pneumoniae, um coco encapsulado cuja depuração depende de opsonização eficiente. Enterobactérias, especialmente Escherichia coli, também podem ocorrer e a epidemiologia local deve orientar a antibioticoterapia empírica. A diretriz KDIGO 2025 para síndrome nefrótica infantil reforça a importância da prevenção e tratamento precoce de infecções nesse grupo de alto risco.
Na prática, criança febril com ascite e peritonismo requer avaliação imediata, culturas e antibioticoterapia parenteral após coleta de material quando isso não atrasar o tratamento. Deve-se ainda excluir causas cirúrgicas de peritonite secundária.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Escherichia coli é causa possível de peritonite e deve ser considerada no espectro empírico, mas não é o agente clássico mais cobrado na associação com síndrome nefrótica infantil.
B) Incorreta. Staphylococcus aureus pode causar infecções invasivas, especialmente cutâneas e relacionadas a cateter, mas não é o patógeno clássico predominante da peritonite espontânea nesse contexto.
C) Correta (gabarito). Streptococcus pneumoniae é o agente classicamente relacionado à peritonite bacteriana espontânea da síndrome nefrótica pediátrica, favorecida pela perda de imunoglobulinas e deficiência funcional de opsonização.
D) Incorreta. Haemophilus influenzae tipo b tornou-se muito menos frequente após vacinação e não é o agente clássico principal dessa complicação.