Mulher, 45 anos de idade, é admitida no PS com palpitações há 2 horas. Sem outras queixas. Exame físico: PA = 110/70 mmHg; FC = 148 bpm. ECG com flutter atrial com resposta ventricular 2:1.
Pegadinha central: controle de frequência não é sinônimo de reversão do ritmo. Se a banca pergunta como reverter o flutter, pense em cardioversão.
Flutter 2:1 costuma produzir frequência ventricular em torno de 150 bpm.
Choque com pulso em taquiarritmia organizada deve ser sincronizado; desfibrilação não sincronizada é outra intervenção.
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Contexto
O traçado mostra flutter atrial com condução atrioventricular 2:1 e frequência ventricular próxima de 150 bpm, padrão clássico dessa arritmia macroreentrante. A paciente está hemodinamicamente estável, mas o comando pede especificamente reversão da arritmia, isto é, restauração do ritmo sinusal, e não apenas redução da frequência ventricular. A cardioversão elétrica sincronizada é altamente eficaz para interromper o circuito do flutter. A diretriz da AHA de 2025 para suporte avançado mantém a cardioversão elétrica como estratégia de restauração do ritmo em fibrilação atrial ou flutter, com sincronização ao QRS para evitar choque sobre a onda T.
A duração relatada é de apenas 2 horas. Em arritmias atriais de duração prolongada ou desconhecida, a decisão de cardioversão exige atenção ao risco tromboembólico, anticoagulação e, conforme o cenário, ecocardiografia transesofágica. Aqui, a questão isola a escolha do método de reversão aguda.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Desfibrilação é choque não sincronizado. É empregada principalmente em fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso, e também em taquicardia ventricular polimórfica instável quando não é possível sincronizar. No flutter com pulso, quando se escolhe choque para reversão, ele deve ser sincronizado ao QRS.
B) Incorreta. Metoprolol intravenoso pode reduzir a resposta ventricular por bloqueio nodal atrioventricular e é opção de controle de frequência em pacientes selecionados, mas não é a melhor resposta quando o objetivo explícito é converter o flutter para ritmo sinusal.
C) Correta (gabarito). A cardioversão elétrica sincronizada atua diretamente na arritmia e apresenta elevada taxa de reversão do flutter atrial. É a alternativa que melhor corresponde ao objetivo do comando.
D) Incorreta. Adenosina produz bloqueio atrioventricular transitório e pode revelar melhor as ondas F quando o diagnóstico do flutter está mascarado pela condução ventricular, mas não costuma interromper o circuito macroreentrante do flutter típico.