Homem, 45 anos de idade, apresenta icterícia de longa duração, sem sinais de insuficiência hepática ao exame físico. Exames laboratoriais mostram transaminases normais e fosfatase alcalina 4 vezes acima do limite superior da normalidade. Recentemente, iniciou quadro de diarreia muco sanguinolenta com 4 episódios ao dia e discreto emagrecimento.
Pegadinha central: colestase + retocolite ulcerativa deve acender imediatamente a hipótese de colangite esclerosante primária.
Colangite esclerosante primária costuma elevar fosfatase alcalina e é avaliada preferencialmente por colangiorressonância.
A associação com doença inflamatória intestinal aumenta o risco de neoplasia colorretal e exige vigilância específica.
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Contexto
O perfil hepático é predominantemente colestático: fosfatase alcalina quatro vezes acima do limite superior, com transaminases normais. Em um paciente com colestase crônica, o aparecimento de diarreia mucossanguinolenta sugere a associação clássica entre colangite esclerosante primária e retocolite ulcerativa. A orientação da AASLD de 2022 descreve a colangite esclerosante primária como colangiopatia fibroinflamatória crônica frequentemente associada à doença inflamatória intestinal, especialmente colite ulcerativa.
Na investigação, a colangiorressonância é o exame de imagem não invasivo de escolha para demonstrar estenoses e dilatações multifocais das vias biliares. Em pacientes recém-diagnosticados com colangite esclerosante primária, deve-se pesquisar doença inflamatória intestinal por colonoscopia com biópsias. A associação também aumenta o risco de câncer colorretal e colangiocarcinoma.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cirrose é estágio final de várias hepatopatias e não é definida por elevação isolada de fosfatase alcalina. Amebíase pode causar colite, mas não forma a associação sindrômica clássica com colestase crônica descrita.
B) Incorreta. Hepatite autoimune costuma apresentar padrão hepatocelular com elevação importante de aminotransferases e IgG. Pode haver síndromes de sobreposição, mas o pareamento típico da questão não é hepatite autoimune com doença de Crohn.
C) Correta (gabarito). Colestase crônica mais quadro compatível com colite inflamatória, especialmente diarreia com sangue e muco, forma o conjunto clássico de colangite esclerosante primária associada à retocolite ulcerativa.
D) Incorreta. Câncer colorretal com metástases hepáticas pode cursar com emagrecimento e alterações hepáticas, mas não é a explicação mais coerente para esse padrão sindrômico, especialmente sem massa, anemia ou outros dados de neoplasia avançada.