Pegadinha central: FAN e TTPA prolongado não substituem a demonstração de anticorpo antifosfolípide específico.
Critérios clássicos: morte fetal a partir de 10 semanas, parto antes de 34 semanas por pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária, ou três perdas consecutivas antes de 10 semanas.
Laboratório precisa mostrar persistência do anticorpo, tradicionalmente em duas coletas separadas por pelo menos 12 semanas.
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Contexto
A síndrome antifosfolípide exige associação entre manifestação clínica compatível e anticorpos antifosfolípides específicos. Pelos critérios revisados de Sapporo, frequentemente chamados de critérios de Sydney de 2006, uma das manifestações obstétricas é uma ou mais mortes fetais inexplicadas de feto morfologicamente normal a partir de 10 semanas. Os critérios laboratoriais aceitam anticoagulante lúpico, anticardiolipina IgG ou IgM em título médio ou alto e anti-beta2-glicoproteína I IgG ou IgM acima do percentil definido, com positividade persistente em duas ocasiões separadas por pelo menos 12 semanas.
Os critérios classificatórios ACR/EULAR de 2023 introduziram sistema ponderado mais complexo e foram desenvolvidos principalmente para aumentar a especificidade em pesquisa. Eles não devem ser confundidos automaticamente com uma regra binária de diagnóstico clínico. O gabarito da questão segue o modelo clássico de Sydney. Para que D seja rigorosamente completa, é necessário assumir que o anti-beta2-glicoproteína I é de isotipo aceito e permanece positivo na repetição.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Trombose venosa poderia preencher o componente clínico se objetivamente documentada, mas FAN positivo não é critério laboratorial de síndrome antifosfolípide. FAN aponta para autoimunidade sistêmica, como lúpus, mas não substitui anticorpo antifosfolípide.
B) Incorreta. Nos critérios clássicos, perdas precoces exigem três ou mais abortamentos espontâneos consecutivos antes de 10 semanas após exclusão de outras causas. Dois abortos não bastam. Além disso, anticardiolipina IgA não integra o conjunto laboratorial clássico, que utiliza IgG ou IgM.
C) Incorreta. Pré-eclâmpsia como critério obstétrico clássico exige parto antes de 34 semanas por pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária. Ocorrência com 38 semanas não preenche esse item. TTPA prolongado isoladamente também não comprova anticoagulante lúpico.
D) Correta (gabarito). Perda fetal com 13 semanas satisfaz o componente obstétrico dos critérios clássicos, e anti-beta2-glicoproteína I em título elevado é anticorpo laboratorial válido quando IgG ou IgM e persistentemente positivo em duas dosagens com intervalo mínimo de 12 semanas.