Durante a pandemia de Covid-19, pesquisadores brasileiros conduziram um estudo transversal com o objetivo de avaliar padrões de uso de álcool na população brasileira. Para tal, foi criado um questionário virtual, cujo link de acesso foi compartilhado em diferentes redes sociais. O questionário apresentava questões que solicitavam o relato sobre o volume de álcool consumido no mês da pesquisa. Este volume de álcool deveria ser calculado pelos participantes a partir de tabelas que apresentavam equivalência entre o volume consumido dos diferentes tipos de bebida alcoólicas e a concentração de etanol por volume em cada uma delas.
Pegadinha central: quem entra no estudo = seleção; como a informação é medida = informação.
Questionário on-line aberto em rede social não gera amostra probabilística representativa só por alcançar muitas pessoas.
Autorrelato de álcool é vulnerável a memória e desejabilidade social.
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Contexto
O estudo tem dois problemas metodológicos distintos. O primeiro é viés de seleção: o link foi divulgado em redes sociais e a participação foi voluntária. Isso cria amostra de conveniência e autoseleção, na qual entram apenas pessoas alcançadas pelo meio digital e dispostas a responder. Esses participantes podem diferir sistematicamente da população brasileira em acesso à internet, idade, escolaridade, renda, comportamento de consumo e interesse pelo tema.
O segundo é viés de informação. O consumo de álcool é autorreferido e depende de memória, compreensão das tabelas de equivalência e cálculo feito pelo próprio participante. Podem ocorrer erro de recordação, erro de mensuração e subestimação por desejabilidade social. Em estudo transversal, confundimento também pode existir, mas o enunciado não descreve uma variável confundidora específica; ele descreve diretamente problemas de seleção e mensuração.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Viés de seleção está presente, mas “viés de compatibilidade” não é a classificação epidemiológica que descreve o erro de autorrelato e cálculo do consumo.
B) Incorreta. Há viés de informação, mas o outro erro explicitamente criado pelo método é seleção por amostra voluntária de redes sociais. Confundimento exigiria uma terceira variável associada tanto à exposição quanto ao desfecho e capaz de distorcer a associação estudada.
C) Incorreta. A alternativa não identifica o problema de autoseleção nem o erro de mensuração. “Viés de traço” não corresponde às categorias relevantes apresentadas no desenho.
D) Correta (gabarito). O recrutamento voluntário on-line produz viés de seleção, enquanto o autorrelato e o cálculo do volume ingerido criam viés de informação.